Quarentena pode piorar casos de depressão pré-menstrual, alerta psiquiatra

0

Todos os meses, mulheres em período fértil precisam lidar com os efeitos da tensão pré-menstrual. Sintomas como dor nas costas, cansaço e irritabilidade tiram o sono e o desejo de encarar a rotina alguns dias antes da menstruação. Para muitas, porém, o momento pode ser ainda mais grave e culminar em um quadro de transtorno dismórfico pré-menstrual (TDPM), também conhecido como depressão pré-menstrual.

Com o isolamento social, o estresse e a preocupação gerados pela pandemia de coronavírus, especialistas temem um aumento de casos de depressão pré-menstrual. Isso porque alguns dos mecanismos que ajudam a aliviar essa condição, como fazer uma caminhada ao ar livre, sair com amigos ou ter contato com a natureza, não são seguros no momento e ferem as recomendações de entidades de saúde.

“As mulheres que sofriam de TPM estão em um ambiente mais hostil e ansioso, e correm o risco de passarem a ter TDPM. Já observo essa mudança em consultório”, alerta o psiquiatra e professor da Universidade de Brasília (UnB) Luan Diego Marques. “É uma tendência enquanto os fatores externos estiverem mais complexos, como agora”, pondera.

O mais importante, no momento, é entender que a principal diferença entre o TDPM e a TPM se dá na intensidade dos sintomas. “Na TDPM, os sintomas psíquicos são mais intensos que os físicos. Há quem relate, todos os meses, sentir-se irritada e chorar fácil, como se estivesse em depressão por alguns dias do mês. Briga com a família, com os companheiros, com os filhos. E isso compromete a realização das atividades diárias, inclusive o trabalho”, explica Marques. Na TPM, por sua vez, os sintomas são mais físicos.

Como evitar

Para evitar, em ambos os casos, deixe de lado o chocolate e a cafeína. Embora, em curto prazo, eles minimizem a angústia e o cansaço, há um efeito rebote perigoso. “Ambos pioram o inchaço e a irritabilidade”, argumenta. Passe longe, também, de álcool e de alimentos ricos em sódio.

Yoga e meditação, por sua vez, ajudam tanto no relaxamento e na concentração quanto nas dores abdominais, vilãs da menstruação.

Se tem dúvida, procure seu ginecologista e, também, um psiquiatra. “É preciso entender que há várias formas de depressão. Uma mulher pode ter TDPM e depressão clássica ao mesmo tempo”, elucida Luan. O tratamento do transtorno envolve de terapia ao uso de dispositivos hormonais, e deve ser feito pelos dois especialistas.

Ciclo menstrual alterado

O estresse afeta diversas funções do corpo humano, inclusive o ciclo menstrual. Por isso, em tempos de pandemia do novo coronavírus, é comum ouvir relatos de mulheres com a menstruação atrasada.

“À medida que os níveis de estresse aumentam, há uma chance de que os ciclos menstruais possam parar. Essa condição é conhecida como amenorreia secundária”, explica Marissa Basil, especialista em saúde feminina, em entrevista à Vogue australiana.

“Felizmente, esse problema induzido pelo estresse é passageiro”, tranquiliza a profissional.

Porém, se você não quiser esperar a crise da Covid-19 passar para ter seu ciclo menstrual de volta, Marissa dá sugestões para normalizar a situação em meio ao caos. Entre elas, estão exercitar-se regularmente, praticar meditação e atenção plena, evitar flutuações no peso corporal e tomar 20 minutos de sol por dia.


Amazonia 03 de Junho