‘Tinha tanta dor de cabeça e tanta febre que eu delirava’, lembra jornalista curada da Covid-19

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“Tinha tanta dor de cabeça e tanta febre alta que eu delirava”. Relato é da jornalista Júlia Milhomem Batista, que mora em Cuiabá, e contraiu o novo coronavírus recentemente. Ela não sabe onde pode ter sido infectada e afirma que esteve somente em supermercados e farmácias. Além dela, o marido, a irmã e o pai tiveram a Covid-19. Durante a quarentena, teve que ficar longe da filha de um ano e três meses.

Os sintomas surgiram no dia 14 deste mês. No dia 17, a jornalista resolveu procurar atendimento médico em um hospital particular, onde ficou internada por três dias e não teve uma boa experiência com o serviço prestado.

“Fiquei internada por três dias tomando tramal e dipirona, mesmo com uma febre alta que eu delirava, dor de cabeça que não passava e falta de ar. No meu quarto não funcionava a companhia e nem o telefone, o que me forçava a ficar levantando para pedir ajuda. Tive que engrossar o tom duas vezes e cheguei a pedir para me mudarem de hospital”, lembra.

Júlia recebeu alta e em casa seu quadro se agravou. O marido, que também estava doente, não conseguia se quer pega o remédio para que ela tomasse. “Tinha tanta dor de cabeça e tanta febre alta que eu delirava a noite. Meu esposo que também estava com Covid-19 não conseguia levantar e nem esticar o braço para pegar o remédio. Dois dias depois retornei a outro hospital e a médica me passou antibióticos e outras medicações. Ela também alertou me dizendo que se eu tivesse tomado a medicação desde quando eu fui internada, no domingo anterior, já estaria bem”, afirma.

O atendimento foi realizado no dia 21 e no mesmo dia ela teve alta. Ao longo do tratamento, como ela e o marido haviam contraído a covid-19, a filha do casal ficou sob cuidados da avó materna. Na residência haviam mais duas pessoas infectadas, ambas em cômodos separados.

Júlia lembra do isolamento longe da filha. “Isso foi o que mais me abalou, ficar longe dela. Eu moro na rua de trás da casa dos meus pais e ouço ela me chamar. Quando eu ligo ela chora, quer a mãe. Estou contando os dias pra acabar minha quarentena pra poder trazê-la pra casa”, diz.

Com medo do preconceito, Júlia afirma que contou a situação para poucas pessoas. Contudo, ressalta que o apoio dos amigos foi importante. “Nesse momento foi muito importante o apoio dos colegas de trabalho. Foram poucas pessoas que ficaram sabendo, até por uma forma de me resguardar por medo de preconceito, mas todos que sabiam me mandavam mensagem, falavam que estava rezando por mim e isso me dava muita força e esperança” conta a jornalista.

“Meus amigos os poucos que souberam e se colocaram à disposição pra ir ao supermercado, farmácia etc… Vizinhos que se preocuparam, que mandavam comidas, caldos porque sabiam que eu estava alimentando mal. Minha família que também estava bem preocupada e me ligava e mandava mensagem. Enfim, as pessoas se assustam bastante quando descobrem que você está com a covid-19 e você tem que tranquilizar”, lembra Júlia, que se sente grata pela ajuda.

Ela também faz um alerta. “Gostaria de pedir para as pessoas se cuidarem, a doença não é brincadeira. Para quem teve dengue, é o dobro de dor de cabeça, pra quem teve gripe é o dobro de mal estar, pra quem já teve pneumonia, é o dobro de dor nas costas e tosse. Vamos levar a sério. Eu penso que hoje poderia estar morta, mas graças a Deus estou bem e posso falar com propriedade que não é uma gripezinha”, finaliza.

Pacientes curados 

​Levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na última quinta-feira (28) mostra que 29,9% dos pacientes que contraíram coronavírus em Mato Grosso estão recuperados da doença.

Há um mês (26/04), quando o número de casos confirmados era de 263 pessoas, 58,2% (153 pacientes) estavam recuperados da doença. O boletim de última quinta-feira mostra que agora, com 2.085 testes positivos para a Covid-19, 624 se recuperaram, o que representa um total de 29,9%.


Amazonia 03 de Junho