Engenheiros do Hospital das Clínicas de SP testam 383 respiradores comprados da China e da Turquia

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Foto: Divulgação

Engenheiros do Hospital das Clínicas, na capital paulista, irão testar neste sábado (30) e no domingo (31) 383 respiradores comprados da China e da Turquia que serão destinados a hospitais da rede municipal que estão com suas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com superlotação. Além destes, também serão testados 150 ventiladores enviados pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, 100 equipamentos foram montados e submetidos a testes, 65 serão enviados para Zona Leste da cidade e 40 para a região central.

As unidades que receberão esse lote de respiradores, são: Hospital Municipal Profº Drº Alípio Corrêa Netto, Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouvêa, Hospital Municipal Tide Setubal, Hospital Municipal Prof. Waldomiro de Paula, Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio, Hospital Municipal Carmen Prudente e Hospital do servidor público.

No Hospital das Clínicas, os equipamentos recebidos são montados, submetidos a um teste de segurança elétrica e a um teste de ventilação, que simula a presença de uma pessoa em um leito de UTI. A orientação é que a fase de testes leve o menor tempo possível para que os respiradores cheguem logo aos hospitais.

“Aqui a gente garante o perfeito funcionamento do equipamento. se ele tive algum vazamento, ou uma falha no processo. Aqui ele trabalha igual ele vai trabalhar em um paciente. Então, a gente tem um pulmão de teste que simula um paciente”, disse o engenheiro clínico, Paulo Roberto Ramos.

“Ou seja, todos os parâmeros que o médico, o fisioterapeuta “setar” pra garantir que o paciente tenha o trabalho do ventilador mecânico, vai ser entregue da maneira adequada. Então, a gente faz a calibração de todos os equipamentos antes de ele ir para o paciente”, completa.

Compras de respiradores

As encomendas de respiradores feitas à China e a Turquia pelo estado de São Paulo foram realizadas sem licitação, em caráter excepcional, devido a pandemia de coronavírus. Dos 383 respiradores recebidos, 183 são provenientes de um contrato firmado com empresas chinesas e os outros 200 da compra da Turquia.

Inicialmente, a gestão João Doria (PSDB) anunciou a compra de 3 mil respiradores das fabricantes chinesas Comen e Beijing Eternity pelo total de US$ 100 milhões (equivalente a R$ 550 milhões), com pagamento antecipado de US$ 44 milhões (R$ 242 milhões).

A negociação foi fechada com uma representante dessas fabricantes – a Hichens Harrison Partners, com sede nos Estados Unidos. A Secretaria Estadual da Saúde conseguiu pareceres favoráveis dos procuradores do estado para comprar os equipamentos em caráter de emergência, sem licitação.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e o Tribunal de Contas do Estado abriram investigações para apurar possíveis irregularidades nesta compra. O promotor José Carlos Blat se baseou em uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo que aponta que os respiradores tiveram o preço médio de R$ 180 mil cada, quando modelos similares no mercado custam R$ 60 mil, o que poderia caracterizar improbidade administrativa.

O governo justificou a compra sem licitação e o preço pelo caráter emergencial da pandemia e pelo prazo de entrega rápido apresentado pelo fornecedor, em um momento que há dificuldade no mundo inteiro para compra de equipamentos para ampliação de leitos. A empresa, no entanto, não cumpriu os prazos iniciais estipulados e houve atraso na entrega previstas das remessas dos aparelhos.

Os problemas com a entrega resultaram em uma renegociação para a entrega de 1.280 respiradores, menos da metade do previsto inicialmente, pelo valor equivalente que já havia sido antecipado, US$ 44 milhões (R$ 242 milhões).

O secretário executivo estadual da saúde, Eduardo Ribeiro Adriano, diz que até o final de junho, o estado vai receber o total de 3 mil respiradores, mas de vários fornecedores.

“A expectativa de recebimento vai além da china. como bem colocamos, temos uma aquisição turca sendo tramitada e já tá resultando em entregas, temos doações de entidades privadas, temos respiradores de transporte sendo encaminhados pelo ministério da saúde e, além disso, o governo do estado lançou mão de outras alternativas pra expansão de leitos, como compra de leitos privados”, disse o secretário executivo da secretaria estadual da saúde de São Paulo, Eduardo Ribeiro Adriano.


Amazonia 03 de Junho