Polêmicas em corridas virtuais têm afetado vida real de pilotos que não se comportam

0
Foto: Reprodução/Twitter

Com a eclosão da maior pandemia do último século, o esporte virtual se popularizou em diversas modalidades. Categorias como a Fórmula 1, IndyCar, Fórmula E e Nascar viram no eSports uma forma de cativar o público e manter os atletas em atividade enquanto divulgam marcas, causas especiais e o esporte em si. No entanto, a linha entre o aceitável e o inaceitável nos games ficou nebulosa no conforto do lar dos pilotos das pistas reais, que protagonizaram diversas polêmicas ao longo das últimas semanas nas competições virtuais.

Foi o caso do alemão Daniel Abt, da Fórmula E, que confirmou sua saída da Audi após ter contratado um piloto profissional de simulador para disputar a prova em seu lugar, no ePrix de Berlim realizado no último sábado. A equipe decidiu pela suspensão do contrato de Abt, que já havia sido multado em R$ 60 mil e desclassificado da corrida.

– Integridade, transparência e concordância com as regras são prioridades máximas para a Audi, e isso se aplica a todas as atividades nas quais a marca está envolvida, sem exceção. Por essa razão, a Audi Sport decidiu suspender Daniel Abt com efeito imediato – comunicou a Audi.

Daniel Abt publicou na tarde de hoje um vídeo onde se justifica pela ação, alegando que foi uma ideia para mostrar o que pilotos de simulador poderiam fazer em uma competição contra pilotos reais. Ao fim da gravação, ele se desculpa com o público, família, amigos e os envolvidos na realização da prova, incluindo a Unicef e a Audi.

– Logo após a corrida, eu percebi que aquilo não acabaria aí e logo tomou uma direção que eu não conseguiria imaginar nem meus sonhos. Eu entendo que fomos um pouco longe com a ideia. Cometemos um grande erro. Eu assumo meu erro, aceito ele e vou sofrer todas as consequências pelo que eu fiz – comentou Abt, confirmando sua saída da equipe.

Por mais que as confusões tenham sido restritas ao ambiente virtual, as consequências sofridas por alguns pilotos não respeitaram os limites do videogame, como foi para Daniel Abt. Além dele, outros corredores da vida real também tiveram que lidar com situações negativas devido ao mau comportamento na internet. Abaixo, relembre alguns casos.

Bubba Wallace (Nascar)

O primeiro a protagonizar uma polêmica no eSports durante a pandemia do coronavírus foi o americano Bubba Wallace, da Nascar, em abril. O piloto da Richard Petty Motorsports estava disputando a terceira prova da eNASCAR Pro Invitational Series no circuito de Bristol quando foi tocado por um adversário. Sem a possibilidade de reparar os danos no carro, Wallace se irritou e desistiu da corrida, a 150 voltas para o final.

Mais tarde, ele ironizou a situação após ser criticado pelo “rage quit” (saída raivosa, quando um jogador abandona uma partida por se irritar).

– Estou morrendo com as reações… Eu estraguei o dia de muitas pessoas ao abandonar… um videogame. Um videogame. Caraca, a vida na quarentena é muito difícil.

Entretanto, a ação não foi bem vista por uma marca de analgésicos que patrocinava o americano. Em resposta ao tweet do piloto, a empresa foi breve ao justificar o rompimento do contrato:

– É bom saber como você se posiciona. Adeus, Bubba. Estamos interessados em pilotos, não desistentes.

Kyle Larson (Nascar)

O americano, que competia pela Chip Ganassi, estava testando o sistema de áudio antes da transmissão de uma corrida online e soltou a frase “Can you hear me, nigger?” (traduzida como “Pode me ouvir, preto?”), onde o termo “nigger” é considerado altamente racista nos Estados Unidos. Descendente de japoneses, Larson fazia parte do programa de diversidade da categoria americana. Inicialmente, ele teve o salário cortado pela Chip Ganassi e foi suspenso pela Nascar, mas a equipe decidiu posteriormente pela demissão do piloto.

– Após muita consideração, a equipe Chip Ganassi decidiu encerrar o relacionamento com Kyle Larson. Como dissemos antes, os comentários que Kyle fez foram ofensivos e inaceitáveis, especialmente diante dos valores da nossa organização. Enquanto continuamos a avaliar a situação com todas as partes envolvidas, ficou claro que essa era a única ação possível a ser tomada – informou através de comunicado.


Amazonia 03 de Junho