Médico do HMI que morreu com coronavírus fez foto pedindo que população ficasse em casa

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Foto: HMI/Divulgação

O médico Emivaldo Soares Martins, de 63 anos, que morreu com Covid-19 nesta segunda-feira (25), tinha feito uma foto com colegas pedindo para que a população ficasse em casa, em Goiânia, para evitar a disseminação do coronavírus. Ele trabalhava no Hospital Materno Infantil (HMI) e estava afastado devido à doença. Os filhos gravaram um vídeo homenageando o pai.

A foto foi tirada no início de março, quando a pandemia de coronavírus começou a avançar no Brasil. Na ocasião, vários profissionais da saúde fizeram campanhas pedindo que as pessoas respeitassem o isolamento social.

Na imagem, os profissionais seguram folhas de papel que formam a frase: “Vamos unir forças, nós aqui trabalhando por vocês, e vocês em casa orando por nós. Equipe HMI”. O médico aparece em pé, com touca, máscara e avental.

Emivaldo, que era cirurgião geral, ginecologista e obstetra, seria avô em breve. A filha, Lorena Ferreira Soares, homenageou o pai em um vídeo ao lado dos irmãos.

“Obrigado por ter nos ensinado a ser pessoas maravilhosas, por ter acreditado na gente. A gente vai te amar para sempre. Seu netinho que está aqui vai te amar para sempre. Muito obrigada, pai”, disse.

Stéfano Soares Martins disse que ainda está chocado com a morte do pai. “Eu queria poder retribuir tudo que você fez por mim. O sentimento é de gratidão. Vou te honrar, respeitar seu nome e tentar ser para os meus filhos 10% do que o senhor foi. Te amo demais”, falou no vídeo.

Em nota, o HMI lamentou a morte do ginecologista, que trabalhava há quase três anos na unidade. Colegas destacaram que Emivaldo era considerado um “mestre” pelos residentes e muito querido por todos.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) publicou nota de pesar em suas redes sociais pela morte do profissional. A Associação Médica de Goiás (AMG) também lamentou a morte e disse que Emivaldo se dedicou por mais de 37 anos à função.

Queixas de colegas

Alguns profissionais da unidade reclamam que, mesmo após o médico ter testado positivo e ter sido afastado, o Hospital Materno Infantil não testou os demais profissionais que tiveram contato com ele.

“Os profissionais de saúde estão expostos e não estão sendo testados. Não estão tomando medidas pra evitar a contaminação dos funcionários. Nenhum funcionário foi testado, nenhum comunicado foi publicado. Estão sendo omissos”, afirmou uma servidora, que não quis ter a identidade divulgada.

Sobre a situação, o HMI informou que “todas as determinações legais estão sendo cumpridas” no que diz respeito à prevenção da Covid-19. Relata ainda que os testes só podem ser feitos em algumas situações e que os profissionais com sintomas gripais são afastados e acompanhados.

Nota do HMI sobre as denúncias:

O Hospital Estadual Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI) informa que os colaboradores da unidade vêm recebendo todas as orientações no intuito de prevenir a Covid-19 e que todas as determinações legais estão sendo cumpridas.

Informa ainda que os testes rápidos, disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), só podem ser realizados mediante alguns critérios. “Os testes devem ser feitos a partir do oitavo dia do início dos sintomas de síndrome respiratória, como febre, tosse, dificuldade para respirar ou dor de garganta, para detectar a presença de anticorpos (IgG e IgM), que são defesas produzidas pelo corpo humano contra o vírus SARS-CoV-2, que causa a COVID-19”. Cada caso é verificado de maneira bem detalhada. Se o colaborador tiver dentro da determinação, o hospital realiza o teste.

Os profissionais que apresentam sintomas gripais ou suspeitos de estarem infectados pela Covid-19 são afastados e acompanhados pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt) e Núcleo Epidemiológico da unidade. Os colaboradores que tiveram contato com alguém que foi infectado são observados de perto para ver se vão desenvolver sintomas, visto que o HMI disponibiliza todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de protocolo de segurança necessários, determinados pela OMS e pela Anvisa, que protegem os profissionais de infecção.


Amazonia 03 de Junho