Fake news impulsionam aumento nas vendas de medicamentos em Mato Grosso

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Com a pandemia de coronavírus e o medo da população, houve um aumento de mais de 50% nas vendas de alguns medicamentos nos três primeiros meses deste ano. Um explicação para isso está nas notícias falsas que circulam na internet associando o uso de remédios à prevenção e cura da doença.

De acordo com pesquisa realizada pela consultoria da IQVIA, houve um aumento de 77% nas vendas de paracetamol, 54,56% nas vendas da dipirona e mais de 180% de aumento na comercialização da vitamina C (ácido ascórbico), em todo o Brasil.

O presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso, Iberê Ferreira da Silva Junior alerta que todos os medicamentos oferecem riscos, mesmo os isentos de prescrição médica. “Os analgésicos por exemplo, costumam ser usados para aliviar dores de cabeça ou dores no corpo”. Porém, eles podem apresentar efeitos colaterais e colocar a vida da pessoa em risco”, afirma o presidente.

As fake news foram os principais meios de difusão de medicamentos com promessa de cura ou prevenção ao coronavírus, como foi o caso da vitamina C (ácido ascórbico) que foi responsável pelo aumento de 134,34% em Mato Grosso, entre janeiro e março deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os números apontam também para o crescimento em Mato Grosso no consumo da hidroxicloroquina sulfato (103,19%), a qual foi atribuída a capacidade de curar a Covid-19, mas cujos estudos não são conclusivos. Já o paracetamol teve um aumento de 141,41% no estado, sendo que o consumo desse medicamento em março de 2019 foi de 52.946 e em março deste ano subiu para 217.609.

No caso do Ibuprofeno, as vendas caíram em 2,86%, provavelmente porque o medicamento foi relacionado ao agravamento de casos da Covid-19. Também foi identificado aumento de demanda pelo medicamento com o colecalciferol como princípio ativo, a chamada vitamina D.

Esse elemento também apareceu nas redes sociais como alternativa de prevenção, da mesma forma sem respaldo científico. O aumento nas vendas da substância foi de 33,26%, o consumo desse remédio em março de 2019 era de 23.560 e em março deste ano subiu para 40.413.


Amazonia 03 de Junho