Ministro do GSI diz que é ‘natural’ presidente querer pessoa ‘próxima’ na direção da PF

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Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, afirmou nesta terça-feira (12) em depoimento que é “natural” o presidente da República querer uma pessoa “próxima” na Direção-Geral da Polícia Federal.

Heleno prestou depoimento no inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF.

Em abril, quando anunciou a demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro disse que Bolsonaro tentou interferir ao trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. Em depoimento nesta segunda (11), Valeixo disse que Bolsonaro relatou a ele querer alguém com “maior afinidade” no órgão.

“[Heleno disse] que o depoente [Heleno] acredita ser natural que o presidente da República queira optar por uma pessoa próxima para exercer a Direção-Geral da Polícia Federal”.

No depoimento, Heleno também afirmou que: “A eficiente administração de Ramagem à frente da Abin, comunicada pelo depoente ao presidente [Bolsonaro] em diversas oportunidades, aliada ao histórico operacional de Ramagem na Polícia Federal, contribuíram para que o presidente da República optasse pela nomeação de Alexandre Ramagem para a Direção-Geral da Polícia Federal.”

O depoimento foi prestado no Palácio do Planalto. Além de Augusto Heleno, prestaram depoimento nesta terça os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Dados de investigações

Quando deixou o governo, Sergio Moro afirmou que outra tentativa de Bolsonaro de interferir na PF se deu quando o presidente cobrou dele acesso a relatórios de inteligência da Polícia Federal.

Ao prestar depoimento nesta terça, Augusto Heleno disse que Bolsonaro “nunca” pediu dados específicos de investigações.

“O depoente [Heleno] esclarece que os relatórios desejados pelo presidente não envolviam matéria de polícia judiciária [PF] objeto de inquéritos policiais sigilosos; [Heleno também disse] que o presidente da República [Bolsonaro] nunca solicitou dados específicos de investigações em curso.”


Amazonia 03 de Junho