Herói do título brasileiro de 1987, ex-Sport guarda mágoa por não enfrentar Flamengo e Inter

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Foto: Gazeta Press

Sem futebol em meio à pandemia causada pela Covid-19, o Sport lançou a campanha “Jogo dos Sonhos” para colocar frente a frente dois times campeões nacionais pelo Rubro-negro: Brasileiro de 1987 e Copa do Brasil 2008. A iniciativa, que tem como objetivo ajudar funcionários do clube e no combate à doença, chega ao fim neste domingo, data marcada para o confronto virtual.

Autor do gol que deu o título brasileiro ao Leão, em 1987, o ex-zagueiro Marco Antônio guarda apenas um ressentimento naquela campanha: faltou enfrentar Flamengo e Internacional no quadrangular final.

“Lógico que a gente ficou chateado quando aconteceu todo esse problema, tanto do Flamengo como Internacional darem W.O. Para a gente ficou chato, porque queríamos realmente jogar com eles. A gente queria que fosse feito o que estava no regulamento” – disse, em entrevista ao canal oficial do Sport.

Aquela edição do Brasileiro, rendeu uma polêmica interminável entre Sport e Flamengo. Uma vez que a equipe carioca, assim como o Colorado, recusaram-se à disputar o quadrangular final após o término dos módulos Verde e Amarelo. Com isso, Sport e Guarani venceram ambos os confrontos por W.O e se enfrentaram na final, quando o Leão conquistou a famosa “taça das bolinhas”.

O Fla se autoproclama “hepta” e buscou o reconhecimento do título na Justiça. Movimento que fracassou em todas as instâncias. O Sport é considerado, por determinação do Supremo Tribunal Federal, como único detentor do título de 1987.

– Nosso grupo era muito forte, não eram só os onze jogadores. O Emerson Leão, que era jogador no Pernambucano e depois passou a ser treinador, montou um grupo muito forte – lembra Marco Antônio.

Naquela edição do Brasileiro, o Sport venceu 14 partidas, sendo duas por não comparecimento das equipes, empatou cinco e perdeu três. Na Ilha do Retiro, o Leão se manteve invicto. Uma força que, para o ex-rubro-negro, marcou a equipe, principalmente após o confronto com o Bangu, pela semifinal do Módulo Amarelo. Adversário sobre o qual o clube garantiu a classificação para o quadrangular final.

“O jogo em si foi praticamente uma guerra, foi totalmente anti-futebol, tanto que ainda bem que acabaram com isso. Porque, o que fizeram com a gente em Moça Bonita foi uma covardia. Então pegamos uma força tão grande depois daquele jogo, que um prometeu para o outro: a gente não perde na Ilha de jeito nenhum. Lá, a gente atropela.”

Após o confronto com o Bangu, o Rubro-negro conquistou o Módulo Amarelo nos pênaltis, contra o Guarani. No quadrangular final, com a equipe comandada por Jair Picerni após a saída de Leão, o Sport superou Internacional e Flamengo, ambos por W.O, e empatou com o mesmo Guarani, em São Paulo, pela última etapa.

Na Ilha do Retiro, os 26.282 torcedores presentes para a final do quadrangular assistiram o marcador zerado até os 19 do segundo tempo. Ali, após uma cobrança de escanteio de Betão, Marco Antônio, de cabeça, encontrou o caminho da vitória.

“O Ricardo Rocha estava me marcando. Ele deu um espaço para mim, na hora que vi, pensei: ‘a bola vai cair aí’. Corri e dei uma testada que a bola foi no canto. Eu não sabia para onde que eu corria. Arrepia até hoje, porque vejo aquele momento na minha mente. A gente sabe o quanto batalhou, lutou. A ficha demora um pouco para cair.”

Passados 32 anos da final, a escalação campeã brasileira pelo Sport “volta” à campo diante dos donos da Copa do Brasil pelo mesmo Leão.

– Sei que não vai ser fácil correr atrás do Carlinhos Bala, Luciano… Durval, quando for para a área, vou ter que marcar. Vamos esperar que o pessoal de 87 tenha treinado durante esse tempo, para que a gente consiga fazer uma boa apresentação. São mais novos que a gente, mas vai ser difícil para eles também – brinca Marco Antônio, projetando uma materialização do duelo virtual, que será promovido pelo Sport.


Amazonia 03 de Junho