Por causa de pandemia, pai vê filhas separado por portão

0
Arquivo pessoal

sempre que arranja um pretexto para isso, o farmacêutico Marcus Vinícius Bolognani, de 36 anos, se posta atrás do portão de um prédio no Setor Oeste, em Goiânia, para ver as fillhas gêmeas, Lara e Alice, de 6 anos. “Ficamos a mais ou menos dois metros de distância, dura uns 5 minutos. Elas lá dentro e eu, fora. É ruim não poder abraçá-las, mas pelo menos podemos conversar”, conta.

Profissional da área de saúde, tem trabalhado bastante na empresa nos últimos dias. Mas, mesmo se estivesse em home office, interromperia as visitas regulares que costumava fazer semanalmente. Uma das filhas tem diabete e é, portanto, de um grupo mais vulnerável à covid-19. “Eu poderia ser um transmissor e jamais a colocaria em risco.”

Se alguns profissionais reduziram as atividades nos últimos dias, seu caso é oposto. “Há muitos pedidos e reuniões, mas sempre que posso dou um jeito de vê-las.”

A desculpa mais utilizada é levar pães às duas filhas. “Elas adoram.”

“O momento em que as vejo é de alegria e tristeza. Tem dia que é impossível não chorar. Não dá nem para explicar direito o que eu sinto, mas não poder encostar nas minhas filhas e abraçá-las é bem difícil.”

Acredita que as duas sintam bem menos que ele. No começo, sofreram um pouco quando perceberam que não poderiam se aproximar. “Para elas, hoje, pesa mais o tédio de não poderem sair e de ficarem em casa o tempo todo.”

Bolognani afirma que as visitas à distância e as conversas on-line foram decisões consensuais dele e de sua ex-mulher, Anne.

Apesar de não saber quando a rotina será retomada, já faz planos. “Quando tudo isso acabar, quero ficar com elas bastante tempo, fazer tudo o que quiserem, uma viagem ou um passeio que gostam ou ainda não fizeram.”

 


Amazonia 03 de Junho