Número de casos do novo coronavírus na Itália pode ser 10 vezes maior, reconhece governo

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O chefe da Agência de Proteção Civil da Itália, órgão do governo que compila as estatísticas de Covid-19 no país, reconheceu nesta terça-feira que o número de casos do novo coronavírus no país pode ser dez vezes maior do que o reportado oficialmente. Até o último boletim italiano, foram registrados 63.927 contágios e 6.077 mortes.

Caso a proporção da subnotificação siga a estimativa, pelo menos 640 mil pessoas teriam contraído a nova doença na Itália desde o início da crise no país europeu. Os italianos concentram, até o momento, o maior número de fatalidades no mundo, com quase o dobro da China, epicentro global da doença.


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Ao contrário da nação asiática, no entanto, o número de testes para Covid-19 tem sido limitado a pessoas em situação de internação. Em outras palavras, milhares de casos estão sendo ignorados, inclusive os assintomáticos, que causam dois terços das infecções.

— Um índice de um caso confirmado em cada dez é crível — disse o chefe da agência, Angelo Borrelli, em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica.

Borrelli afirmou, ainda, que o país enfrenta um grave problema: a falta de máscaras e respiradores nos hospitais. A Itália tenta importar suprimentos do exterior, mas países como Índia, Romênia, Rússia e Turquia já suspenderam a venda desses equipamentos para o estrangeiro, dificultando a oferta pelo mundo.

— Estamos contatando embaixadas, mas temo que, no futuro próximo, não haverá mais máscaras chegando do exterior — reconheceu o chefe da Agência de Proteção Civil.

Também nesta terça-feira, a porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Harris, alertou que Europa e Estados Unidos correspondem, juntos, a 85% dos contágios registrados nas últimas 24 horas no mundo. Embora a Itália caminhe a passos largos para superar a China nas próximas semanas, Harris alertou, ainda, para o potencial dos EUA se tornarem o novo epicentro global da Covid-19.

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