‘Se não quer ser tocada não entra em ônibus cheio’, ouve adolescente após assédio

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Foto: Arquivo Pessoal

Uma adolescente de 16 anos foi vítima de assédio dentro de um ônibus quando voltava da escola em Bertioga, no litoral de São Paulo. A estudante tentou reagir e pediu ajuda, mas o homem conseguiu fugir, e, segundo relatou neste domingo (16), ainda a culpou pelo ocorrido. “Me disse que se eu não quiser ser tocada não tenho que entrar em ônibus cheio”, relembra.

A adolescente, que prefere não se identificar, conta que entrou no ônibus por volta de 13h, na tarde desta sexta-feira (14). Quando estava no trecho da Rodovia Rio Santos percebeu um homem atrás dela, que se aproximou e passou a se esfregar no corpo da jovem.


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Ao perceber que estava sendo assediada, a estudante começou a gritar e pedir ajuda, além de bater nele tentando impedir que algo pior acontecesse.

Depois de tentar culpá-la pelo ocorrido, o homem aproveitou que o coletivo parou no ponto seguinte e fugiu. Em seguida, o motorista ainda parou o ônibus e perguntou o que tinha acontecido. “Ele conversou comigo, ligou para a empresa informando o caso de assédio e perguntou se eu queria que ele fosse na delegacia fazer a ocorrência”, explica.

A vítima conta que ficou muito traumatizada depois da situação, e sentiu nervoso quando precisou pegar o ônibus novamente. “Tudo o que eu mais quero é que ele seja identificado, mas com a lei do jeito que é, sabemos que não será fácil”, desabafa.

Ela relata que no momento do assédio, apesar de gritar, não teve ajuda de ninguém que estava no transporte coletivo, já que a maioria era jovem e não sabia como reagir. Uma amiga da estudante que estava no local ajudou a vítima a entrar em contato com a mãe e familiares. Ela ainda mandou mensagens para o namorado pedindo ajuda e contando o que aconteceu.

De acordo com a mãe, uma auxiliar de limpeza de 48 anos, o sentimento é de revolta e impunidade. “Deixamos nossos filhos irem para a escola e não imaginamos o que pode acontecer”, comenta.

A auxiliar explica que o caso foi parar em postagens nas redes sociais e que ela ficou feliz com a coragem da filha de relatar e denunciar o assédio. “As meninas não denunciam e esses homens ficam impunes. O caso quando divulgado serve como alerta”, declarou. A jovem registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Bertioga.

G1 tentou contato com a empresa responsável pelo ônibus e com a Prefeitura de Bertioga, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno sobre o assunto.