Investigada, Backer segue sem operação e demite 150 pessoas

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Foto: Danilo Girundi/TV Globo

A Cervejaria Backer informou, nesta quinta-feira (13), que demitiu 150 pessoas. Segundo a empresa, entre elas estão funcionários diretos e prestadores de serviços terceirizados.

A Polícia Civil investiga 34 casos de intoxicação que podem estar ligados ao consumo de cervejas da Backer. Seis pessoas morreram.


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A substância tóxica dietilenoglicol foi encontrada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em cervejas da marca, em tanques e na água da fábrica em Belo Horizonte, que está interditada. A Backer sempre negou usar o dietilenoglicol no processo de fabricação, mas afirma usar o monoetilenoglicol.

Até o início das investigação, a Backer tinha cerca de 650 funcionários diretos e indiretos. Por causa da interdição da fábrica por parte do Ministério da Agricultura, todos foram mandados para casa. Não há previsão de retomada dos trabalhos.

Resumo:

  • Uma força-tarefa da polícia investiga 34 notificações de pessoas contaminadas após consumir cerveja (seis delas morreram);
  • O Ministério da Agricultura identificou 41 lotes de cerveja da Backer contaminados com dietileglicol, um anticongelante tóxico;
  • A Backer nega usar o dietilenoglicol na fabricação da cerveja;
  • A cervejaria foi interditada, precisou fazer recall e interromper as vendas de todos os lotes produzidos desde outubro;
  • Diretora da cervejaria disse que não sabe o que está acontecendo e pediu que clientes não consumam a cerveja.

Pioneira da cerveja artesanal em MG

A Backer foi fundada pelos irmãos Lebbos em 1999 e é uma das pioneiras do mercado de cerveja artesanal em Minas Gerais. O setor cresceu desde a fundação da empresa. Hoje, 78 microcervejarias são filiadas ao SindiBebidas.

A Backer começou com produção de chopp, que era vendido na boate e casa de shows Três Lobos, localizada na Avenida Raja Gabaglia, na Região Centro-Sul da capital mineira. Em 2005 a fábrica de cervejas artesanais foi inaugurada.

“Em 2018, fizemos vários investimentos em planta física, equipamentos e contratações, com intuito de dobrar a nossa produção. Passamos sim dificuldades com a retração do mercado, aumento do dólar, crise na indústria do vidro e aumento do nosso principal insumo, o malte, no começo de 2019, mas já estamos vendo melhora e aquecimento em nosso setor”, disse na época a diretora de marketing da empresa, Paula Lebbos.

Além de cervejas, a Backer começou a produzir gin e uísque.