Estado e município alinham ações de enfrentamento à dengue em Sinop

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Estado estabelece plano de ação para enfrentar a dengue em Sinop

Durante web reunião, realizada na última quarta-feira (15.01), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) alinhou com a regional de Sinop e município de Sinop ações de enfrentamento à dengue na cidade.

De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), atualizados na última semana do mês de dezembro (semana epidemiológica 52), o município ocupa o primeiro lugar da lista, com 2.451 casos de dengue notificados. No estado, foram feitas 16.992 notificações de casos de dengue.

Frente a este cenário e a dois óbitos, ocorridos nos últimos 25 dias – que ainda não foram registrados oficialmente no Sinan, pelo fato de ainda estarem em investigação– a SES se colocou à disposição para caso o município não consiga absorver, por meio das unidades básicas de saúde, a demanda por atendimento médico.

“O município precisa criar uma estratégia imediatamente para manter a situação sob controle. Ir atrás da eliminação do criadouro do fixo e removível do mosquito Aedes aegypt. Muitas vezes, a equipe vai ter que ir no local uma vez e depois voltar novamente”, orienta a coordenadora de Vigilância em Saúde Ambiental da SES, Ludmila de Souza.

Outra orientação dada ao município foi sobre o manejo clinico dos pacientes. Mas, para entender manejo clínico, a responsável técnica da SES pelos agravos dengue, zika, e chikungunya, Cecília Cintra, destaca que é imprescindível explicar a classificação da dengue, que, sob diretrizes do Ministério da Saúde, mudou em 2016.

Agora, segundo Cecília, uma pessoa é classificada, na unidade básica de saúde apenas com dengue quando ela tem febre e dor no corpo. Já quando o paciente apresenta, além da febre e dor no corpo, dores abdominais e vômito, ela está com dengue e emite sinais de alerta.

O último estágio da dengue não é mais intitulado como hemorrágica, já que nem toda dengue avançada apresenta hemorragia. Por isso, a terceira classificação se chama dengue grave, que é quando o paciente tem febre, dor no corpo e abdominal, vômito, pressão baixa, estado de choque e/ou confusão mental. Esse quadro pode evoluir rapidamente para óbito, caso não haja tempo hábil para o tratamento.

“Quem está só com dengue pode ser medicado e liberado para ir para casa, mas com recomendação de voltar no dia seguinte. No entanto, se o paciente estiver com algum sinal de alerta, ele precisa ficar internado, porque ele está dizendo: ‘se eu não for medicado de acordo com a minha classificação, eu posso evoluir para óbito’”, acrescenta.

Cartão do paciente com dengue

Cecilia ainda lembrou o município sobre o cartão do paciente com dengue. Conforme ela, todos os pacientes com a infecção precisam ir embora, após atendimento no posto de saúde, com este cartão.

“É difícil encontrar um município com o cartão, mas, no momento ele se faz necessário porque o paciente já vai embora com todas as informações possíveis para caso ele tenha que voltar para um segundo atendimento. Por isso é importante que o município faça a impressão do papel”, diz Cecília.

Na reunião, a equipe da SES também lembrou que o paciente com dengue tem prioridade no atendimento. Ao chegar com o cartão que identifica que ele está com dengue, o paciente não precisa ficar na fila de espera. Ele tem prioridade para ser atendido a fim de evitar qualquer piora no seu quadro de saúde.

Para a coordenadora de Vigilância Epidemiologia da SES, Viviane Cardozo, é de extrema importância cada um conhecer seu papel nesse processo de cuidado com a dengue, principalmente no cuidado ao manejo clinico a respeito da atenção nas extremidades de alto risco, que são as crianças e idosos.

“A vigilância está para evitar novos óbitos. Para isso, é preciso ter atenção no território onde essas vítimas moravam. Outra questão é a conversa constante entre o Escritório Regional de Saúde e o município, incluindo a unidade de saúde”, entende Viviane.

Na avaliação de Viviane, a web reunião foi importante para fortalecer a mediação e também a tomada de decisão. “Deixamos os contatos em aberto, pois nossa função não é só de exigir, a gente está aqui como cooperador também. Então, se o município precisar de apoio, pode nos avisar”, finaliza a coordenadora.

Participaram da reunião, servidores das Superintendências de Articulação Regional, Atenção à Saúde e Regulação à Saúde. Equipes do Centro de Informação Estratégicas de Vigilância a Saúde e do Laboratório Central de Saúde Pública do Mato Grosso (Lacen) também estiveram presentes na discussão.

Reunião de alinhamento para realizar ações de enfrentamento à dengue na cidade de Sinop-MT
Créditos: Assessoria SES-MT

Ações do município

De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Sinop, já foram tomadas as medidas de combate e controle do mosquito Aedes aegypti, como mutirão de limpeza nos terrenos baldios da cidade e vistoria em imóveis.

Com relação aos óbitos registrados, o setor informou que os casos já estão sob investigação na Secretaria de Saúde da cidade e os locais onde as respectivas vítimas moravam foram vistoriados, mas nenhum criadouro foi encontrado. No entanto, próximo das residências delas existiam focos já com larvas do mosquito.

Além disso, haverá a ativação das ações previstas no Plano Regional e Municipal de Contingência as Arboviroses dengue, zika e chikungunya, construído para cada município do estado sob a orientação da SES.

Ações do Estado

Por meio da Gerência de Vigilância em Doenças e Agravos Endêmicos, a SES realizou de novembro de 2018 a outubro de 2019, um total de 29 oficinas de atualização em manejo clínico aos municípios que compreendem as 16 regionais de saúde de Mato Grosso. Nesta atividade, mais de 1.100 profissionais da saúde municipal foram capacitados.

Paralelas às oficinas de atualização, foram realizadas oficinas para construção do Plano Regional e Municipal de Contingência as Arboviroses dengue, zika e chikungunya. Além disso, a secretaria também realizou supervisões em alguns Hospitais Regionais e orientações aos profissionais das unidades de saúde sobre os procedimentos que precisam tomar ao receberem casos suspeitos.

Já por meio do Coordenadoria em Vigilância Ambiental, o órgão estadual ainda realizou capacitações em taxonomia, ecologia e controle do Aedes aegypti para supervisores e Agentes de endemias dos municípios de Mato Grosso. Foi feito também a distribuição de insumos estratégicos, como inseticidas e larvicidas, utilizados como medida complementar ao controle do vetor.