Ensino em Tempo Integral tem novas diretrizes

Programa quer incluir mais escolas em vulnerabilidade social, diminuir repetência e aumentar o diálogo com estados

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Para beneficiar instituições em áreas de vulnerabilidade social e reduzir a repetência e evasão escolar, o Ministério da Educação (MEC) lançou novas diretrizes para o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. 

A partir de agora, o modelo será implantado gradualmente nas escolas. Começará por um mínimo de quarenta alunos na primeira série do ensino médio por escola. Antes eram 120 alunos e podia englobar todo o ensino médio já no primeiro ano de implantação. “Percebemos que causava muita evasão. Às vezes o aluno tinha outros compromissos e acabava desistindo da escola”, contou o coordenador-geral do Ensino Médio do Ministério da Educação, Marcelo Araújo.


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A meta final do terceiro ano também mudou. Passou de 350 para duzentos estudantes por unidade escolar. “Era uma meta muito alta. As escolas mais bem adequadas chegavam a duzentos alunos”, relatou o coordenador.

O turno noturno também foi pensado. Anteriormente, ao final da implantação, a escola deveria ser toda de ensino integral. Agora também pode ter turmas regulares não-integrais como o ensino para jovens e adultos e o turno noturno.

Outra novidade é o trabalho em conjunto com os estados para adaptar o modelo à realidade local e tornar mais fácil a adesão. As novas diretrizes permitem a participação de escolas particulares do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Nesse caso, os recursos são de responsabilidade dos estados.

Um exemplo de escola que oferece o ensino médio em tempo integral é o Centro de Ensino Médio Integrado do Cruzeiro, em Brasília (DF). No local o aluno chega a ter atividades extras para o desenvolvimento intelectual, além de projetos de arte, tecnologia, teatro, orquestra e informática, todos desenvolvidos nas três séries do ensino médio. “Isto não está na grade curricular. É algo a mais que o aluno desenvolve”, explicou o vice-diretor do centro, Umbertânio Ilário da Silva.

A aluna Andressa Almeida Guedes contou que tem três refeições por dia na escola e os conteúdos são transdisciplinares. Indo para a terceira série do ensino médio agora em 2020, Andressa disse que a experiência com o modelo integral levou vários alunos da unidade a ganharem prêmios pelos trabalhos em robótica. Segundo a aluna, levou um tempo para a adaptação, mas o resultado está valendo a pena pra todos.

“É um pouco cansativo no início, mas depois você acostuma. Podemos aprender mais coisas. Vamos conseguindo entrar nessa nova era da tecnologia. Eu gosto”, afirmou Andressa, que depois desse primeiro contato com a tecnologia, ganhou novos sonhos e quer seguir profissionalmente na área.

Escolas com vulnerabilidade social

Para facilitar a participação de escolas em áreas de vulnerabilidade social também houve mudanças o programa. Agora, o estabelecimento de ensino precisa ter três itens da lista, que inclui seis obrigatoriedades: biblioteca ou sala de leitura, sala de aula, quadra poliesportiva, vestiário, cozinha e refeitório.

Antes, eram exigidos quatro itens. “Assim conseguimos que escolas mais vulneráveis, que normalmente não tinham os quatro itens, possam participar”, destacou o coordenador-geral do Ensino Médio do MEC, Marcelo Araújo.

Expansão do Modelo

Com as novas diretrizes, o ministério da Educação quer incluir 500 novas escolas no programa até 2022, contabilizando, no mesmo período, 120 mil alunos cursando o modelo integral nas três séries do ensino médio.

Para atender este objetivo o repasse do MEC vai ser de R$ 80 milhões para os 26 estados e o Distrito Federal. Cada secretaria estadual recebe R$ 2 mil por aluno por um período de dez anos.

O ensino em tempo integral tem carga horária mínima de 35 horas semanais. No ensino médio regular, são vinte horas. Atualmente, de acordo com o ministério da Educação, 1027 escolas seguem o modelo de ensino médio integral no país.