Dupla Love-Boselli, do Corinthians, é mais eficiente do que artilheiros do Flamengo; entenda o motivo

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Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Pode parecer absurdo, mas acredite: a dupla Boselli/Vagner Love, do Corinthians, tem sido mais eficiente no Campeonato Brasileiro de 2019 do que Gabriel e Bruno Henrique, que marcaram juntos 39 gols pelo Flamengo na competição. É o que diz a estatística de gols por finalizações do Espião Estatístico.

Vagner Love e, principalmente, Boselli, têm feito muito com pouco. O argentino, principalmente, lidera o ranking da eficiência nesse quesito. Precisa de 4,16 finalizações para cada gol marcado. Gabigol faz um gol a cada 4,28 finalizações. Enquanto Vagner Love (4,8) precisa de menos chances do que Bruno Henrique (5,22), segundo maior goleador do campeonato.

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Para Casagrande, ex-atacante do Corinthians e comentarista, os números frios distorcem a realidade do que se vê em campo.

– Essas análises são frias, você tem de sentar, olhar, prestar atenção… Com a bola rolando, na coisa viva, é absurda essa comparação. Você vê o Corinthians jogar, o ataque do time é muito feio! Os jogadores são bons, mas é muito feio. Aí você vê o Flamengo jogar, muito solto, à vontade, Bruno Henrique faz dois gols, Gabigol artilheiro do campeonato, não dá pra comparar. O Corinthians começou e passou o ano com três centroavantes para fazer gols. Só que o esquema tático não favoreceu esses centroavantes, não favoreceu em nenhum momento desse ano – diz Casão.


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A diferença básica está no número de finalizações de cada equipe no campeonato. Para fazer gol é preciso chutar, e aí está um grande problema do Corinthians na temporada. O time é o quarto que menos finaliza entre as equipes que disputam o Brasileirão. São 373 finalizações em 32 rodadas, só à frente de Fortaleza (358), CSA (331) e Botafogo (322). O Atlético-MG e o Flamengo, os dois primeiros, somam 503 e 499 finalizações, respectivamente. No ranking de atletas que mais arrematam para o gol, os três atacantes corintianos (Boseli, Love e Gustavo) não figuram nem entre os cem primeiros.

Não à toa, Boselli (seis), Gustavo e Love (ambos com cinco) somam menos gols do que Gabigol sozinho (21 gols). A seca de gols é novidade para o argentino. Em cinco anos e meio pelo León, do México, ele marcou 130 gols em 221 jogos, média de 0,59 gol por jogo. Neste ano, fez apenas dez em 40 jogos oficiais (média 0,25).

– Sim, eu me sinto estranho. Não estava acostumado – disse Boselli, em entrevista ao Esporte Espetacular.

O baixo número de gols fez o argentino reclamar da forma como o Corinthians jogava com o então técnico Fabio Carille. Ele reclamou que a bola chegava pouco ao ataque. Além disso, admite que a fase de adaptação também o travou no início.

– Chegar em um país novo, uma cultura nova, nova casa, realmente, os primeiros seis meses foram difíceis. O segundo semestre acho que foi muito melhor, depois da Copa América fui me sentindo cada vez melhor – completou o argentino.

No Brasileirão, Boselli ainda não conseguiu iniciar quatro partidas seguidas como titular. Neste domingo, contra o Internacional, fará o terceiro consecutivo. E ele reconhece que nesses seis jogos que faltam, a prioridade é outra.