Coluna – Thales deve ser o líbero da seleção masculina em Tóquio

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A não ser que aconteça um inesperado desvio de rota no caminho até os Jogos Olímpicos de Tóquio, Thales, de 30 anos, deve ser o líbero que vai defender a seleção brasileira no evento. Nas últimas quatro Olimpíadas a posição esteve a cargo de um dos maiores especialistas do vôlei mundial: Serginho. Campeão de tudo com a seleção, Serginho já havia se despedido da camisa verde-e-amarela, mas topou o convite de Bernardinho para retornar e defender o Brasil na Rio 2016. Deu certo. Aos 41 anos ele foi um dos líderes da conquista do ouro olímpico, o segundo de sua carreira.

Mário Júnior, que jogou o Mundial de 2014, e Thiago Brendle, que chegou a ser convocado pelo técnico Renan Dal Zotto, perderam espaço na seleção e Thales foi ganhando terreno. Mas não sem um pouco de desconfiança. O jogador do Taubaté nunca foi uma unanimidade na posição. Tanto que para o Mundial de 2018, disputado na Itália e na Bulgária, Renan optou por levar dois líberos e revezá-los em quadra. Thales atuava preferencialmente na recepção, enquanto Maique, jogador do Minas, entrava para ajudar na defesa.

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Com o revezamento ficava claro que Thales ainda precisava evoluir na defesa, especialidade de Maique. Na Liga das Nações deste ano, o técnico brasileiro continuou a alternar os líberos em quadra. Faltava uma oportunidade para que o atleta fosse mais testado e pudesse mostrar todo o seu potencial. Essa chance veio na Copa do Mundo do Japão.

O título de forma invicta e incontestável da seleção brasileira teve o oposto Alan como o grande nome. Mas Thales também se destacou. Renan optou por deixá-lo a maior parte do tempo em quadra, sem fazer o revezamento com Maique. Com isso, o líbero foi efetivamente experimentado e respondeu à altura. Nas estatísticas foi o segundo melhor defensor do campeonato, e teve a terceira melhor recepção. Não é pouca coisa para quem vinha sendo muito cobrado por uma certa instabilidade na posição. Testado e aprovado, Thales conquistou na bola a vaga na seleção que vai defender o título olímpico em Tóquio. Qualquer outra indicação de Renan Dal Zotto na lista final para os Jogos será uma grande surpresa.


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Leia se despediu da seleção brasileira

Líbero da seleção feminina na campanha dos Jogos Olímpicos do Rio, Leia anunciou que não vai mais defender a camisa do Brasil. Sua última competição foi a Copa do Mundo do Japão deste ano, que terminou com as brasileiras em quarto lugar. A decisão da jogadora do Minas Tênis Clube foi previamente combinada com a comissão técnica e abre espaço para a consolidação de Camila Brait no posto.

A atleta do Osasco/Audax havia se afastado da seleção após ter sido preterida justamente por Leia na lista de convocadas para a Rio 2016. Convidada pelo técnico José Roberto Guimarães, Camila aceitou voltar ao time brasileiro. Seu retorno já dava indícios de que seria ela a líbero brasileira em Tóquio. Tecnicamente, Leia e Camila são as melhores líberos em atividade no Brasil. Suelen, do Dentil/Praia Clube, defendeu o Brasil no Mundial de 2018, mas hoje aparece com menos chances de ir à Olimpíada. Dificilmente Zé Roberto vai cortar novamente Brait da seleção às vésperas dos Jogos Olímpicos. Por isso hoje ela é a dona da posição. E provavelmente vai continuar assim, pelo menos até o fim da Olimpíada.

Fábio Lisboa