JUBs: jogadoras saem dos campos e vão para os controles

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A popularização do futebol feminino também invadiu os esportes eletrônicos. Na manhã de hoje (23), em Salvador, nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), todos os videogames disponíveis para competição tinham mulheres no comando dos controles.

Todas elas jogando Fifa, considerado por muitos o jogo de futebol virtual mais popular do mundo. E, segundo elas, há relação entre os videogames e a paixão pelo futebol praticado nas quadras e nos campos.

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“A maioria das meninas dos campeonatos que a gente marca joga futsal. Existe essa ligação”, disse Rosilda Cabalini, 26 anos. Ela representa a Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes), Campus São Mateus. É a primeira vez que participa dos JUBs.

“Na fase estadual, eu participei pelo futsal feminino, só que perdemos na final. Aí surgiu essa oportunidade [de competir no Fifa] e não perdi tempo. Sempre tive vontade de disputar os JUBs”, explicou.


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Carolina Castelano, 24 anos, representa a Universidade de Brasília (UnB) na competição. Ela também joga futebol, mas uma lesão a fez mudar para o futebol virtual. “Eu gosto de futebol, eu sempre joguei. Mas eu estou lesionada, então, vim de Fifa mesmo”, confessou.

Ela concorda que as mulheres que jogam futebol estão se interessando cada vez mais pela versão eletrônica do esporte. “Geralmente quem joga futebol joga Fifa também. É mais esse público mesmo. Não conheço quem gosta de Fifa e não jogue futebol”, afirmou.

Esta é a segunda edição dos JUBs em que homens e mulheres estão separados na disputa de Fifa. E isso não ocorreu por uma suposta diferença técnica.

Segundo Rosilda e Carolina, isso não existe. Juca Battiste, coordenador-geral de eventos da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (Cbdu), explicou que a decisão de separar os gêneros ocorreu para ampliar o número de vagas para mulheres.

“Com os anos, a gente vem percebendo que, independente de não especificar o gênero, estava tendo uma participação bastante efetiva do sexo feminino [nas disputas de Fifa]. Então, nesse sentido, a gente decidiu inserir nessa modalidade os dois gêneros, com a intenção de termos, cada vez mais, a participação das mulheres”, explicou.

League of Legends

Os e-sports estão no calendário dos JUBs desde 2016, iniciando com Fifa. Mas outro jogo se tornou tão popular que, no ano seguinte, ganhou seu espaço: o League of Legends (LoL). Esta é a primeira edição que contará com uma presença feminina. Mas, ao contrário do futebol virtual, LoL ainda é um território dominado por homens.

Ana Gabriele Andrade, 19 anos, é a primeira mulher a disputar LoL nos JUBs. Ela está acostumada a ficar de fora de torneios maiores, já que são restritos à participação masculina.

“Geralmente investem só em equipe masculina. Time feminino só joga em torneio menor. Então, muitas meninas não investem muito nisso por não ter reconhecimento. Eu até me surpreendi daqui [nos JUBs] ser equipe mista”, disse.

Ana Gabriele é, segundo um dos técnicos da delegação do Instituto Federal do Rio de Janeiro (Ifrj), um dos destaques da equipe. Ela joga há cinco anos e costuma ser a única mulher nas competições mistas das quais participa. A jovem não reclama de preconceito entre os colegas, mas ainda percebe o machismo nos adversários.

“Eu não tive problema no meu time por ser menina. Mas fora sempre tem comentário. O pessoal acha que, por ser menina, você joga mal. Às vezes, quando você faz uma jogada melhorzinha, dizem: olha, é menina [mas] está jogando bem”.

*O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira do Desporto Universitário

Kleber Sampaio