Bolsonaro já tem novo nome para Embaixada nos EUA

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José Dias/PR

O presidente da república, Jair Bolsonaro, declarou nesta terça-feira, dia 22, diretamente do Japão, que poderá indicar Nestor Forster, diplomata de carreira, para que assuma a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, se o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL -SP) desistir de forma efetiva do posto.

Todavia, cabe ao Eduardo tomar a decisão, cujo prazo estabelecido se encerrará no fim deste mês. Caso permaneça disposto ao cargo deverá ter o seu nome submetido à aprovação do Senado Federal. Caso o contrário deverá permanecer na liderança do Partido Social Liberal (PSL) na Câmara dos Deputados.

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Quanto a Nestor Forster, o diplomata é próximo ao chanceler Ernesto Araújo e possui ligação com o escritor Olavo de Carvalho. A menção a Forster reacende boas expectativas no Itamaraty, uma vez que alguns meses passados o nome do diplomata era dado como certo. Em junho, Nestor foi recebeu a promoção de topo da carreira que lhe permitiu as possibilidades necessárias para se ocupar o posto. Entretanto, no mês seguinte, todos os diplomatas foram surpreendidos com a notícia de indicação da Eduardo Bolsonaro.

Por outro lado, mesmo que Bolsonaro tenha conseguido a aprovação do governo americano, o presidente enfrenta sérias dificuldades para tornar o nome do seu filho viável no Senado para a sabatina. E com os recentes embates realizados dentro do PSL, as chances que Eduardo tinha foram reduzidas.


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Ontem, Jair Bolsonaro chegou a declarar à imprensa, após a liderança do partido ter sido passada para Eduardo, que a sua permanência agora como líder da sigla na Câmara é positiva, pois poderá “pacificar” os ânimos do PSL, ao passo que conseguirá “catar os cacos” que foram deixados por causa da crise interna partidária.

O presidente declarou em uma entrevista concedida no Japão que “É óbvio isso que o Eduardo terá que decidir nos próximos dias, talvez antes que eu retorne ao Brasil” e continuou “No meu entender, [o que considera mais estratégico] é que ele permaneça no Brasil até que pacifique o partido e ver assim o que se pode catar de caco, pois tem gente que foi para o excesso. É igual a um casal, chega um ponto de um certo problema que não existe mais retorno por parte de alguns”, finalizou.

A indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada brasileira em Washington enfrenta forte resistência que se acentuou nos últimos dias e conforme uma pesquisa realizada pelo Painel do Poder, do Congresso em Foco, o que se for mantido irá ocasionar em uma rejeição  do seu nome no Senado.

Em tempo, Eduardo assumiu ontem a liderança da bancada diante de um forte embate entre deputados ligados ao presidente Bolsonaro e a ala ligada ao presidente do partido, Luciano Bivar. Ainda que esta ala tente restituir a liderança para o agora ex-líder Delegado Waldir (GO) novas discussões e listas continuam a intensificar as tensões internas do partido.

Embaixada de Israel

Além da embaixada brasileira nos Estados Unidos Bolsonaro aproveitou para afirmar que tem pretensões de mudar o embaixador em Israel, após a notícia de que o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu anunciou a sua desistência em formar um governo.

De acordo com Bolsonaro, a ideia é enviar para Israel um embaixador que possa estreitar as relações no setor de inovação agrícola, ao passo que seja alguém que possua um perfil mais apropriado para a nova gestão.

Bolsonaro demonstra que mesmo com a saída de Netanyahu, um de seus aliados, está perfeitamente aberto ao diálogo com o seu próximo sucessor, ao que declarou “Israel é um país extremamente importante tanto para o mundo quanto para nós”, disse.

Eduardo Bolsonaro faz novas nomeações

Enquanto pensa se aceitará dar continuidade ao processo de indicação e posterior sabatina no Senado para ocupar o posto de Embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro já realizou algumas ações agora como líder do PSL na Câmara.

Hoje, pela manhã, ele nomeou os novos vice-líderes da sigla e todos são parlamentares aliados a ala “bolsonarista”, ou seja, que mantém ligação com o presidente Jair Bolsonaro e que foram notificados ainda ontem sobre o processo de suspensão realizada pelo PSL.

Por ora, cabiam a eles fazerem o comparecimento pessoal a reunião do PSL. E ainda contam com um prazo, contado a partir de hoje, de cinco dias para que apresentem as suas respectivas defesas.

De todo modo, o primeiro vice-líder nomeado foi Filipe Barros (PSL – PR). Os demais são: Sanderson (RS), Luiz Ovando (MS), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (RJ), Bia Kicis (DF), Bibo Nunes (RS), Junio Amaral (MG), Chris Tonietto (RJ), Daniel Silveira (RJ), Alê Silva (MG), Márcio Labre (RJ), General Girão (CE) e Carla Zambelli (SP).

Ontem, Eduardo havia determinado o desligamento de todos os vice-líderes do PSL na Câmara, como o seu primeiro ato de liderança da sigla.

Crise no governo: Bolsonaro poderá mexer novamente na articulação política