PSF VII cria grupo para tratar de obesidade e sobrepeso em Lucas do Rio Verde

Maus hábitos e aspectos emocionais contribuem para o agravamento e risco de outras doenças

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O grande número de pacientes do Posto de Saúde da Família VII, no bairro Jardim Primaveras, com obesidade, sobrepeso e doenças decorrentes do peso excessivo levou à criação de um grupo de pessoas dispostas a enfrentar essas disfunções e tratar da saúde a partir da orientação de uma equipe de profissionais da área. A iniciativa envolveu os próprios funcionários da unidade de saúde que enfrentam os mesmos problemas.

Serão reuniões semanais, totalizando seis encontros, com a presença de uma nutricionista e de uma psicóloga que acompanharão o desempenho, os resultados e o progresso ao longo de um processo desafiador e que exige muita determinação de cada um dos participantes.

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Decidida a cuidar da saúde, a profissional autônoma Marlice Eckardt Paranhos, de 52 anos, ingressou no grupo com o firme propósito de perder o excesso de peso que a incomoda. Ela acredita que o fato de trabalhar em casa, muito próxima da geladeira e dos alimentos, tem contribuído para o descontrole.  “Tenho tido muita dificuldade para reduzir o peso. Já tentei isso sozinha e, como não consigo, busquei ajuda. Estou com 78 quilos e se chegar a 65 quilos já me darei por satisfeita”, declara.

Contente ao ver a chegada de outras pessoas para o segundo encontro, Marlice relata que na primeira aula, depois de se pesar e medir a altura, cada um precisou lembrar do que havia comido no dia anterior. “A partir daí, passei a anotar tudo o que eu como durante o dia e o interessante é que a gente vê que está comendo em excesso. Se você anotar, vai ver que não precisa comer tanto”, observa.


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A enfermeira Daniela Lins Viana Campos, coordenadora do PSF VII, disse que a equipe gestora da unidade trabalha com estratificação de risco e acompanha quais são as principais demandas apresentadas pelos pacientes locais para oferecer um atendimento de qualidade que corresponda às suas reais necessidades. “A gente constatou que tinha muitos encaminhamentos e solicitações para os cuidados de uma nutricionista por conta de sobrepeso e obesidade, o aumento das doenças hipertensivas, o diabetes, os triglicerídeos”, relata.

E aí, segundo Daniela, que também busca perder peso, aumentam os riscos de infarto, de acidente vascular cerebral (AVC), de câncer e de diversas outras doenças provenientes do excesso de peso, da má alimentação e dos maus hábitos em geral. “Frente a essa demanda de mais de 30 pacientes em lista de espera, a gente pediu apoio para o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), que nos mandou duas profissionais para trabalharem com esse grupo formado por pacientes com problemas semelhantes”, explica.

Muito mais que a perda de peso, os profissionais buscam alterar hábitos e aspectos do comportamento prejudiciais à saúde dos participantes. É o que tem feito a responsável pelo acompanhamento e orientações nutricionais, Priscila Reis Tavares, que na segunda reunião fez uso de uma pirâmide alimentar apenas para explicar o valor nutritivo das substâncias. “É preciso mudar hábitos de vida e promover uma reeducação alimentar, aprendendo a consumir alimentos que fazem parte da dieta diária da população brasileira, porém de forma adequada e saudável.”

Como a compulsão alimentar também envolve aspectos emocionais e até culturais, os pacientes também contam com as orientações da psicóloga Mayllara Jucoski e, dependendo do caso, poderão ser atendidos individualmente por um profissional da área. “O ganho de peso não se dá apenas pela busca de nutrir o corpo, mas também a alma. Muitas pessoas comem por ansiedade, por frustração, por não conseguirem lidar com os problemas e então eu vim trabalhar exatamente com os pensamentos sabotadores, que são aqueles que levam a querer comer ‘só mais um pedacinho de bolo’, a adiar o tratamento e a ficar constantemente se sabotando por meio de atitudes prejudiciais e da resistência para enfrentar os problemas”, conta.

Além de criar o grupo temporário voltado para emagrecimento e de manter um grupo permanente para tratamento de hipertensos, a coordenadora do PSF destaca que a unidade de saúde proporciona acompanhamento fisioterápico para as pessoas que, devido ao peso excessivo, apresentam dor na coluna, dor provocada pela postura ou fraqueza muscular por compensação de postura. “Também dá para complementar, às segundas, quartas e sextas, com o Programa Cidade Viva, aqui na praça, que tem zumba, crossfit, ginástica localizada, ou participar do grupo de hidroginástica”, recomenda Daniela.