Bolsonaro afirma no Pacaembu que está “muito feliz com os seus 22 ministros”

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O presidente da república, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou ontem, dia 12, que não fará nenhuma troca ministerial. Torcedor da equipe paulista do Palmeiras, ele aproveitou a situação para fazer uma analogia com a prática comum no esporte da troca de técnicos e que não se repete em seu governo.

Como já é de costume, Bolsonaro esteve presente durante o período da tarde de ontem no
estádio do Pacaembu, localizado na região da zona oeste, para assistir a partida entre o
Palmeiras x Botafogo, pelo campeonato brasileiro.

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Na ocasião declarou em entrevista à imprensa no local que “os técnicos [de futebol] se cansam.

O Felipão (ex-técnico do Palmeiras) é um grande técnico, porém ele cansou. E parece que é uma tradição mesmo no Brasil o costume de trocar de técnico”, afirmou o presidente que
complementou “No meu caso, não é uma questão de agradar, pois que é uma questão de dar conta do recado. O ministro tem uma meta definida e precisa se virar nessa meta. E hoje é mais difícil porque o ministro não possui verba e menos ainda orçamento. Porém estou muito feliz com os meus 22 ministros. Os que precisavam trocar já foram trocados”, disse.


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Ainda durante a entrevista, Bolsonaro declarou que teve a felicidade de poder fazer a escolha de seus ministros. Segundo ele “É um bom caminho e eles [os ministros] devem satisfação a mim, e não aos seus partidos políticos. Agora, deve-se lembrar que pegamos um país quebrado tanto na ética quanto na moral e na economia. Então estou fazendo o possível. E onde quer que eu vá estou sendo muito bem recebido”, comentou.

Ontem, pela tarde, o presidente participou da missa de Aparecida, no Santuário Nacional que fica no município de Aparecida do Norte, na região do Vale do Paraíba paulista e foi alvo de aplausos e vaias.

A missa foi precedida pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brande, o qual fez crítica ao presidente durante a sua homilia “Sempre rezamos pelo Papa, assim como pelo bispo e por todos os que exercem a autoridade para que possam governar com justiça… Senhor presidente, sinta-se abraçado pela mãe querida [Nossa Senhora Aparecida]. E o Brasil todo abraça a Mãe de Deus”.

Ministro do Turismo
Durante o decorrer da semana, Bolsonaro foi pressionado pelos seus mais próximos assessores a demitir o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que foi indiciado pela Polícia Federal como um dos suspeitos de envolvimento no esquema de “laranjas” do PSL, partido do presidente. Álvaro Antônio é investigado na Operação Sufrágio Ostentação por apropriação indébita, associação criminosa e falsidade ideológica.

Ainda durante a entrevista concedida no Pacaembu, Bolsonaro defendeu a declaração de
transparência dentro do próprio partido e declarou “Eu não quero que estoure um problema e depois seja culpado pela imprensa. O que quero mesmo é abrir a caixa-preta para que o PSL honre a bandeira que nós tínhamos lá atrás. O que não pode é pegar uma verba de R$ 8 milhões mensais, que é dinheiro público, para que uma minoria decida o que fazer. Eu fui eleito gastando somente R$ 2 milhões porque fiz uma vaquinha virtual”, complementou.

Acesso as contas do partido
Na última sexta, dia 11, Jair Bolsonaro e mais 21 parlamentares solicitaram formalmente o
acesso às contas do PSL para a realização de uma auditoria. A cúpula do partido, por sua vez, decidiu solicitar uma análise das contas de campanha do presidente na eleição realizada no ano passado.

Embora tenha surgido uma crise por divergências entre Bolsonaro e o partido nos últimos dias, o presidente negou que o motivo da briga com o comando do partido, em especial com o presidente da sigla, Luciano Bivar, tenha sido por causa do controle de dinheiro do fundo partidário.

Bolsonaro declarou “Eu não estou atrás do fundo partidário. Fiz a minha campanha com R$ 2 milhões que foram de vaquinha virtual. O partido ganha R$ 8 milhões a cada mês. É dinheiro público, e todo mundo precisa saber o que é feito com esse dinheiro. É uma caixa-preta que tem que ser aberta pelo PSL”.

E ainda acrescentou “O que nós queremos é transparência. Eu não quero que problemas
apareçam no PSL e que, mesmo que eu não faça parte da executiva do partido, acabe sendo responsabilizado, como já fui de forma maldosa pelo que aconteceu ou que agora possa acontecer em qualquer parte do país envolvendo o PSL”, complementou o presidente.

Neste âmbito, Jair Bolsonaro não descartou a possibilidade de deixar o PSL “é lógico que existe e eu não vou negar. O que queremos ver é se existe uma maneira de compor, o que vejo é que é muito difícil, pois a executiva, no meu entender, tem que abrir, precisa ser democrática”, assinalou.

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