Enterro de mototaxista tem confusão, e PM é preso após dar tiros de fuzil durante protesto

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Foto: Reprodução/TV Globo

O enterro do mototaxista Kelvin Gomes Cavalcante, de 17 anos, morto nesta quinta-feira (10) após ser baleado quando estava dentro de uma barbearia na comunidade Para-Pedro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, terminou com protesto em frente ao Cemitério de Irajá. No momento em que o jovem levou o tiro, ocorria uma operação policial na região.

Durante a manifestação desta sexta-feira (11), um policial militar atirou para o alto com um fuzil – pelo menos dois disparos foram ouvidos. A PM disse que ele foi preso em flagrante e que vai passar por avaliação e acompanhamento psicológico.


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Em um comunicado, a polícia afirma que agiu porque “um grupo que participava do cortejo obstruiu a via e depredou um ônibus que passava pela Avenida Monsenhor Felix”. “Policiais intervieram e resgataram o motorista do ônibus. Houve um princípio de tumulto, momento em que um dos policiais se descontrolou e realizou disparos de arma de fogo.”

Em uma das imagens, o policial aparece chutando um dos participantes do ato. O protesto causou a interdição da Estrada do Colégio, entre a Av. Pastor Martin Luther King Jr. e a Av. Monsenhor Félix, por volta das 17h.

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Inicialmente, a polícia afirmou que Kelvin Gomes era suspeito, versão confrontada por familiares e moradores da região.

“Meu filho sempre trabalhou, se alistou no Exército. Toda a comunidade, todo mundo vai falar bem do meu filho. Meu filho nunca foi bandido na vida. Era um filho amoroso”, disse Isabel Gomes.

No enterro, ela afirmou: “Meu filho não merecia, mas essa é a ordem do governador. Entrar e matar sem perguntar quem é”.

Um amigo de Kelvin que estava com ele na mesma barbearia também foi atingido. Lucas Souza, de 19 anos, ficou ferido no peito e no braço. Ele está internado, e o quadro é estável.

O pai de Kelvin, Ezequiel Cavalcante, afirmou no Instituto Médico-Legal (IML) que não havia confronto no momento em que o filho foi morto.

“Não existia confronto na comunidade no momento. Quando há um confronto, por mais jovem que seja, ele não vai ficar no meio do fogo cruzado. Ele vai tentar se esconder”, disse.

O pai disse também que o filho trabalhava e não tinha envolvimento com o crime. Kelvin faria 18 anos no dia 26.

“O meu filho ia cortar o cabelo, tinha acabado de mandar uma mensagem para a mãe [dizendo] que iria cortar o cabelo e almoçar com ela.”

A corporação ainda não respondeu às acusações dos familiares de Kelvin. O caso vai ser investigado pela Polícia Civil.





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