Bolsonaro cogita saída jurídica do PSL

0

O presidente da república, Jair Bolsonaro, demonstrou convicção e segurança para deixar o Partido Social Liberal (PSL), sua atual sigla, devido as recentes crises e falta de transparência. Bolsonaro transmitiu o “recado” na tarde de ontem quando se reuniu com deputados e advogados no Palácio do Planalto, em Brasília.

Caso se confirme, a mudança não deve ser realizada de forma imediata. A equipe que faz a assessoria do presidente afirma que o trabalho poderá ser realizado sobre a construção de uma saída que tem o objetivo de evitar que os deputados aliados ao presidente que desejam fazer a migração de legenda juntamente com Bolsonaro percam seus mandatos por causa da chamada “infidelidade partidária”.


Continua depois da publicidade-pix


Durante a noite desta última quarta-feira, dia 09, Bolsonaro procurou minimizar a crise existente no PSL e disse que, por enquanto, deseja permanecer na legenda. Para tanto, disse que não há uma crise e fez uma comparação do atual cenário com uma “briga de marido e mulher”.

Essa declaração foi dada durante uma entrevista coletiva em que a imprensa questionou o presidente sobre a crise que envolve o partido desde o ano passado. Na última terça-feira, dia 08, Bolsonaro disse a um apoiador para que ele esquecesse o PSL e isso provocou uma reação imediata nos integrantes da legenda.

-Continua depois da publicidade ©-

De acordo com o presidente, a fala foi realizada a um de seus apoiadores que pretende lançar candidatura a vereador: “Eu disse para ele que esquecesse o PSL, e por quê? Porque ele é pré-candidato a vereador e se começar a falar em partido passa a fazer campanha antecipada. Foi isso o que eu disse”, afirmou.

Saída do PSL e garantia jurídica

Jair Bolsonaro demonstra realmente interesse em sair do PSL, porém ele necessita de uma garantia jurídica que não permita aos deputados que desejarem acompanhá-lo na desfiliação a perda de mandatos, e que a Justiça congele os recursos partidários do PSL.

Bolsonaro acredita que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acabe congelando os recursos do fundo partidário do PSL, os quais foram adquiridos com os votos dele e de parte dos deputados que estavam presentes na reunião.

Por ora, o objetivo é que Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, fique impedido de movimentar aproximadamente R$ 8 milhões mensais que a legenda recebe para a realização da sua manutenção.

Os aliados de Bolsonaro acreditam que o congelamento dos recursos se torne uma vitória para o presidente. Em tempo: cerca de 17 deputados que participaram da reunião com Jair Bolsonaro elaboraram uma carta de apoio em que afirmaram que o PSL “ainda é o caminho”. Na carta eles reiteram o acordo que firmaram em 2018 na construção de um país livre da corrupção.

Bolsonaro versus Bivar

A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e Luciano Bivar tornou-se bastante tensa após o presidente ter declarado a um apoiador que “esquecesse o PSL” e ainda complementou com a seguinte frase de que Bivar “está queimado para caramba”.

Essa queimada se refere as denúncias que foram realizadas sobre as irregularidades referentes as candidaturas de mulheres que foram utilizadas como “laranjas” para que o partido conseguisse os recursos públicos.

Essas irregularidades foram denunciadas, na semana passada, pelo Ministério Público de Minas Gerais contra o ministro do turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Na ocasião, Antônio era o presidente do PSL mineiro durante as eleições de 2018 que culminaram nas tais candidaturas laranjas.

Segundo Bivar, Bolsonaro procura através de declaração como as que fez aos seus apoiadores o interesse em ficar isento das denúncias das candidaturas laranjas: “Quando ele (o presidente) diz a uma pessoa estranha para que esqueça o PSL já demonstra que ele próprio esqueceu. Sendo assim assegura que não mantém nenhuma relação com o partido”, afirmou Bivar.

Por outro lado, há uma hipótese de que a saída de Bolsonaro seja uma estratégia política eleitoral, pois ele deseja integrar um partido em que possa ter o controle e impulsionar a sua candidatura para a reeleição presidencial no pleito de 2022.

Nesse ínterim, a União Democrática Nacional (UDN) já solicitou o registro como partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e demonstrou interesse na filiação do presidente a sua sigla. Nos bastidores políticos a possível saída de Bolsonaro do PSL pode provocar uma certa debandada de outros parlamentares.

É provável que o presidente leve 15 dos 53 deputados federais, e mais 2 de 3 senadores incluindo o seu filho, Flávio Bolsonaro (RJ), e Soraia Thronicke (MS).

Trocas partidárias

Caso Bolsonaro deixe o PSL essa será a nona troca partidária que ele já realizou em 30 anos voltados para a vida pública. O presidente é filiado ao PSL desde 2018. Antes ele estava no PSC do pastor Everaldo, presidente do partido, com o qual teve troca de farpas públicas. Além destes dois partidos Bolsonaro integrou siglas como: PP e PFL (atual DEM).





-Patrocinador-