Secretária diz que fenômeno em São Paulo não tem relação com MT: conclusão ideológica ou política

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A secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, classificou como “conclusões subjetivas, ideológicas e políticas” a relação feita entre o fenômeno registrado em São Paulo esta semana – em que o “dia virou noite” – com as queimadas que vêm acontecendo no Estado. Segundo Lazzaretti, apesar da “realidade sentida” por aqui, não há confirmação de que a fumaça dos incêndios originados em Mato Grosso tenha de fato influenciado no escurecimento do céu na capital paulista. Cientistas têm divergido sobre o assunto.

“Foram apresentados dados de que isso realmente não existe, então eu acredito na ciência e não em opinião ideológica ou política. Os dados são a respeito de focos de calor e de dados de queimadas, não que o evento acontecido tenha origem direta daqui. Precisamos separar o que é real do que é conclusão subjetiva de determinado segmento. O que é real é que temos aumento de foco de calor, mas focos não indicam necessariamente queimadas. Mas temos uma sensação térmica e uma realidade sentida de que a queimada está incomodando a saúde pública”, defendeu Mauren.


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A fala da secretária ocorreu durante coletiva de imprensa esta semana, após visita do ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na companhia do governador Mauro Mendes (DEM), os três sobrevoaram a região urbana e os arredores de Cuiabá, para vistoriar in loco alguns dos focos de queimada.

Mato Grosso lidera o ranking de queimadas na região da Amazônia, com mais 14 mil focos de calor acumulados até este momento, neste ano, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe).
A situação em Mato Grosso é de alerta ambiental, com várias regiões do Estado registrando a temperatura de 38° nos últimos dias. O clima quente acaba favorecendo o aumento de queimadas.

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Durante a vistoria, o ministro, o governador e a secretária destacaram que grande parte do fogo na vegetação nos arredores de Cuiabá tem origem criminosa.

“Estamos num momento climático critico no Estado, com um calor muito forte, um período de estiagem maior do que nos anos anteriores. É obrigação do Estado, mas é obrigação de cada mato-grossense zelar para que as queimadas não ocorram. É um esforço que temos feito com os recursos que temos, com aquilo que conseguimos de criatividade, um esforço sobre-humano das equipes do Corpo de Bombeiros, do Batalhão Ambiental, dos agentes da Sema, do ICMBio e do Ibama”, frisou Mauren.

Dia virou noite em SP

Na última segunda-feira (19), o céu de São Paulo ficou preto por volta das 15h, o que causou a impressão de que a tarde tivesse virado noite na cidade. O fenômeno assustou moradores e provocou uma enxurrada de publicações nas redes sociais.

De acordo com alguns institutos meteorológicos a escuridão pode ser explicada pela soma de uma chegada de uma frente fria vinda do litoral do estado (que trouxe umidade do oceano), nuvens baixas carregadas e, principalmente, a presença de névoa seca, com material particulado originado de queimadas na região amazônica.

Pesquisador do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Alberto Setzer, disse no entanto que a hipótese acima é pouco provável. Segundo ele, um pouco dessa fumaça de fato chegou a São Paulo, mas não a ponto de ser a principal explicação para a escuridão. Imagens de satélite compiladas pelo pesquisador na semana passada mostraram um corredor de fumaça da Amazônia descendo para o centro-sul do País.





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