Análises de DNA aumentam mistério sobre “lago de esqueletos” indiano

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Uma nova pesquisa realizadas nos restos mortais encontrados no “Lago dos Esqueletos”, na Índia, aumentou o mistério sobre o local. Isso porque, como relataram os especialistas em um estudo publicado na revista Nature, os corpos têm até 1 mil anos de diferença entre si, além de serem originários de diferentes partes do mundo.

O lago Roopkund fica situado no norte da Índia, na cadeia montanhosa do Himalaia e está cheio de cadáveres, o que o rendeu o apelido de “Lago dos Esqueletos”. Não se sabe ao certo como os restos mortais foram parar lá, mas, até a recente pesquisa, imaginava-se que alguma catástrofe (como uma tempestade poderos) tivesse resultado na morte de centenas de pessoas, o que explicaria tantos corpos depositados no mesmo lugar.


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Contudo, a recente análise genética de 38 desses esqueletos fez os pesquisadores mudarem de ideia, pois mostraram as diferentes origens dos indivíduos: “Ficamos extremamente surpresos com a genética dos esqueletos de Roopkund. A presença de indivíduos com ancestrais tipicamente associados ao Mediterrâneo Oriental sugere que o Lago Roopkund não era apenas um local de interesse local, mas atraía visitantes de todo o mundo”, relatou Éadaoin Harney, da Universidade de Harvard, em comunicado.

Como explicaram os cientistas, a análise dos isótopos extraídos dos ossos sustentou a constatação que as pessoas encontradas no antigo lago pertenciam a diferentes localidades. Isso porque, algumas substâncias presentes no solo podem ser absorvidas pelas plantas, que são então consumidos pelas pessoas. Assim, quando alguém se alimenta desse vegetal, o isótopo substitui parte do cálcio nos dentes e ossos do sujeito, permitindo, então, que sua origem seja identificada.

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“Indivíduos pertencentes ao grupo indiano têm dietas altamente variáveis, mostrando dependência de fontes alimentares derivadas de isótopos C3 e C4. Essas descobertas são consistentes com a evidência genética de que pertenciam a uma variedade de grupos socioeconômicos no sul da Ásia”, disse o arqueólogo Ayushi Nayak, do Instituto Max Planck. “Em contraste, os indivíduos com ascendência oriental relacionada ao Mediterrâneo parecem ter consumido uma dieta com muito pouco milho”.

A diferença de idade desses esqueletos também chamou atenção dos especialistas: enquanto grande parte dos corpos datam do ano 800, outros datam de 1800 — uma diferência de um milênio. “Ainda não está claro o que levou esses indivíduos ao Lago Roopkund ou como eles morreram”, explicou o geneticista Niraj Rai, do Instituto Birbal Sahni de Palaeosciences. “Esperamos que esse estudo represente a primeira de muitas análises desse misterioso lugar”.





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