Em um mês, MT desmatou 159 km² da floresta amazônica

Aumento de 17% em apenas um mês ocorre justamente em um momento em que o Brasil perde mais ajuda importante para a preservação da floresta amazônica

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Greenpeace

Divulgado ontem (16) pelo Imazon, novo boletim detectou aumento de 15% de desmatamento na Amazônia Legal nos últimos 12 meses em relação ao mesmo período do calendário anterior (agosto de 2017 a julho de 2018). De acordo com o Imazon entre agosto de 2018 e julho deste ano, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 5.054 quilômetros quadrados (Km²) de derrubada de vegetação nativa na região, o que corresponde a 500 mil campos de futebol.

Em Mato Grosso, houve uma queda de 17% nesse espaço de 12 meses. No período anterior, 1.157 Km² foram desmatados. Já entre agosto de 2018 e este mês corrente, foram 955 km2 devastados. Contudo, somente em julho deste ano, o estado destruiu 159 km2 da floresta, ocupando a quarta colocação no ranking de desflorestamento na região. Em relação a julho de 2018, quando foram derrubados 136 Km², houve um aumento também de 17%.


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A divulgação dos dados ocorre justamente em um momento em que o Brasil perde mais ajuda importante para a preservação da floresta amazônica. Depois da Alemanha, a Noruega anunciou que deixará de contribuir para o fundo voltado para o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Instituto nacional de pesquisa sem fins lucrativos, o Imazon uma metodologia diferente de verificar desmatamento em relação ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mas ambos vêm apontando a mesma tendência de avanço da destruição da floresta este ano.

De acordo com o Imazon, julho de 2019 fechou o calendário oficial do desmatamento e, apenas nesse mês, a destruição da floresta somou 1.287 km², o que representa um aumento de 66% em relação a julho de 2018, quando a derrubada da vegetação somou 777 quilômetros quadrados. Do total, os maiores índices foram registrados no Pará (36%), Amazonas (20%), Rondônia (15%), Acre (15%), Mato Grosso (12%) e Roraima (2%).

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A maior parte da (55%) da devastação na região ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante foi em assentamentos (20%), unidades de conservação (19%) e terras indígenas (6%). “Acre, que tradicionalmente não costuma aparecer na lista dos estados que mais desmatam, ocupou a terceira posição do ranking com um aumento de 257% no mês”, apontou.

Os municípios com maiores áreas devastadas, em julho de 2019, foram Altamira (128 km²) e São Félix do Xingu (96 km²), no Pará, e Porto Velho (78 km²), em Rondônia. No território mato-grossense, Colniza (1.065 quilômetros de Cuiabá) aparece entre as cidades mais críticas, com 28 km2 derrubados.

Conforme o Imazon, o desmatamento impacta no crescimento econômico do país e na qualidade de vida da sociedade. Também está relacionado ao roubo de terras públicas, a perda de nossas riquezas naturais e até a doenças respiratórias. “Punir quem comete crimes ambientais e aumentar o rigor das leis, melhorar o uso das áreas já desmatadas, promover a restauração florestal são alguns dos caminhos para mudar esse cenário”, aponta.

A unidade de conservação com a maior área desmatada (82 km²), em julho de 2019, foi a área de proteção ambiental “Triunfo do Xingu”, no Pará. Em Rondônia, estão localizadas as outras duas unidades de conservação com maior área desmatada no mês: Florex Rio Preto-Jacundá e Resex Jaci-Paraná que perderam 40 e 25 km², respectivamente. Outro ponto de alerta é o desmatamento em terras indígenas. As três áreas indígenas mais desmatadas em julho ficam no Pará: as reservas Apyterewa e Trincheira Bacajá, ambas no sudoeste do estado, e a reserva Ituna/Itatá, no sudeste do Pará.

Operando desde 2008, o SAD é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. Com os satélites é possível detectar desflorestamentos a partir de 1 hectare mesmo sob condição de nuvens.

Nesta semana, o governo de Mato Grosso lançou a plataforma de monitoramento com imagens de satélite “Planet”, um sistema de detecção de desmatamento em tempo real de alta resolução que permitirá um monitoramento ambiental preventivo. O serviço foi adquirido por meio do programa “REM” e vai atuar em tempo real no controle e combate ao desflorestamento ilegal em todo território mato-grossense. Com a ferramenta, os proprietários serão responsabilizados e a área embargada de forma imediata. O investimento para a aquisição da ferramenta foi de R$ 5 milhões aproximadamente.

De acordo com o governo, a partir do monitoramento diário com imagens e alertas semanais de desmatamento, o serviço de fiscalização poderá identificar a ação no início, resultando em maior eficiência no combate ao desmatamento ilegal e beneficiando, consequentemente, quem produz de forma lícita. O serviço também facilita a adoção de estratégias públicas no combate a prática ilegal, que contribui para um crescimento sustentável, aliando desenvolvimento e preservação.

“Hoje, nós demoramos meses para detectar que a área foi desmatada e com esse sistema, que vai varrer todo o Estado de Mato Grosso, poderemos acionar mais rapidamente nossos organismos de controle e repressão e dar a responsabilização de forma mais imediata. Iremos divulgar de maneira muito ampla para educar e evitar que as pessoas pratiquem crimes ambientais. Com essa tecnologia crimes dessa natureza seguramente serão detectados e punidos, podendo tirar essa sensação de impunidade no Estado”, disse o governador Mauro Mendes, durante o lançamento da plataforma.

FUNDO – Nesta última quinta-feira (15), a Noruega anunciou que, assim como a Alemanha, também bloqueará suas contribuições para o combate ao desmatamento da Amazônia, uma verba de mais de R$ 133 milhões destinada ao Fundo Amazônia. A decisão acontece um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar a jornalistas que a chanceler alemã, Angela Merkel, deveria usar o dinheiro bloqueado em julho pelos alemães para reflorestar o próprio país.

O entendimento é de que o Brasil quebrou o acordo firmado com a Noruega e Alemanha. Os dois países respondem por quase todo o dinheiro do fundo que é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sendo a Noruega o principal doador desde a criação do pacto com o Brasil, em 2008.

Ainda anteontem, governador Mauro Mendes reforçou a importância da pauta ambiental para o Brasil e, principalmente, para Mato Grosso, durante palestra na abertura do XI Encontro dos Economistas do Centro-Oeste, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Para ele, o agronegócio seria o setor da economia que mais sofreria com um possível boicote dos países europeus aos produtores brasileiros, em decorrência dos avanços do desmatamento.

“O agronegócio brasileiro é seguramente um dos poucos e mais expressivos setores que o Brasil tem de grande competitividade. O risco que nós temos para esse setor é o ambiental. Esse é o risco que nós realmente temos. Porque o mundo tem os olhos muito voltados para as questões ambientais. Pensamos muitos sobre as consequências do avanço do desmatamento para Mato Grosso. Se lá na Europa desencadearem uma grande campanha de boicote aos produtos brasileiros, como retaliação aos avanços dos desmatamentos da Amazônia, se preparem, pois vai ser um caos na economia brasileira e na economia de Mato Grosso”, afirmou.





-Patrocinador-