O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, opera em queda ao redor de 2% nesta segunda-feira (12), em meio a renovadas preocupações com o cenário externo, com os mercados também refletindo o resultado das eleições primárias na Argentina e a perspectiva de que o presidente argentino, Mauricio Macri, não conseguirá se reeleger nas eleições de outubro.

Às 11h, o Ibovespa caía 2,03%, a 101.884 pontos.

Entre as principais quedas, Itaú e Ambev recuavam acima de 3%. Bradesco tinha queda de mais de 2% e Petrobras perdia mais de 1%.

Na sexta-feira, o índice fechou em queda de 0,11%, aos 103.996. Na semana, porém, acumulou alta de 1,32%. Na parcial do mês, tem alta de 2,15%. No ano, a valorização chega a 18,33%.

Internamente, os investidores digeriam o resultado do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), que apontou crescimento de 0,3% na comparação com o mês anterior, mas queda de 0,13% no 2º trimestre, indicando início de uma recessão técnica, ampliando as preocupações sobre as perspectivas para o país.

Eleições na Argentina

O candidato de oposição à presidência da Argentina, Alberto Fernández, venceu no domingo (11) com larga vantagem as eleições primárias para a presidência do país, impondo uma dura derrota a Macri. Com 99,37% das urnas apuradas, Alberto Fernández, que tem Cristina Kirchner como vice, teve 47,66% dos votos, e Macri 32,08%. Roberto Lavagna aparece em 3º lugar com 8,23% dos votos.



Investidores veem Fernández como uma perspectiva mais arriscada do que o pró-mercado Macri devido às políticas intervencionistas prévias da oposição.

“Cristina Kirchner governou entre 2007 e 2015 e adotou um modelo econômico que praticamente afundou a economia para a crise que ainda se encontra, nacionalizando empresas, manipulando dados oficiais e provocando repulsa aos investidores”, destacou a Rico Investimentos em relatório a clientes.

“A diferença do resultado foi muito maior do que podíamos supor. Pelos números da economia, era mais provável que a oposição ganhasse, mas havia outros aspetos que beneficiavam o governo como transparência e combate à corrupção, mas isso não aconteceu”, explicou à RFI a Mariel Fornoni, diretora da Management & Fit, empresa especializada em opinião pública.

Além da disputa comercial entre Estados Unidos e CHina, compõem o pano de fundo do exterior as preocupações com a situação política na Itália e no Reino Unido, que podem enfrentar, respectivamente, uma eleição antecipada e um Brexit sem acordo em breve, e as tensões políticas envolvendo a China e os manifestantes em Hong Kong.

Somado a isso, o receio de que a economia global acabe em um processo de desaceleração mais acentuado que o esperado, em meio à disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, mantém em alta a procura por ativos considerados seguros, como o iene, o ouro e os bônus soberanos de países desenvolvidos.