Funcionária de asilo investigado pela polícia diz que 10 idosos morreram em 5 meses

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Uma funcionária de um asilo investigado pela Polícia Civil, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, disse que dez idosos morreram no local.

“Em cinco meses, morreram dez. Tudo desnutrido”, afirmou neste sábado (27).

A instituição fica no bairro Barreiro do Amaral e foi interditada pela Prefeitura, durante ação conjunta com a Polícia Civil de Minas Gerais. A dona do asilo e uma filha dela foram presas por suspeita de torturar e agredir idosos acamados. Um cuidador ainda é procurado pela polícia.


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A funcionária que relata as mortes na instituição não quis se identificar. A Polícia Civil, que deu início às investigações nesta semana, informou que confirma dois óbitos e disse que os outros casos serão apurados. Uma das mortes ocorreu na semana passada, após um idoso ser internado com quadro de desnutrição.

As investigações começaram depois uma denúncia feita ao Hospital Municipal de Santa Luzia por uma cuidadora que trabalhou três meses no local. De acordo com a delegada Bianca Prado, os idosos da clínica estavam em situação degradante, de completo abandono e, muitas vezes, de fome.

Após a denúncia, 13 idosos foram levados para o hospital nesta quinta-feira (25).

“Uma idosa foi internada com afundamento de crânio. Tem um que relata uma possível fratura no braço e na cabeça, de chutes e de agressões sofridas dentro do estabelecimento. Teve um outro com pneumonia. Um outro com quadro de pressão completamente descontrolada junto com uma glicemia altíssima”, exemplificou a delegada.

A funcionária que não quis se identificar disse que já presenciou agressões.

“De mais grave, [eu vi] dando murro na boca. A pessoa está com fome pedindo pão, aí ela [dona do asilo] pega e começa a dar tapa na cara, falando que não tem direito de comer dois pães. Tem que comer um. Come só arroz e feijão, não pode comer carne. Pode olhar os freezers, está tudo vazio. Verdura que tem é de doação”, relata.

Neste sábado, após a divulgação do caso, algumas famílias foram até a clínica para buscar parentes. Segundo funcionários, cerca de 25 pessoas continuam no local.

O advogado Welbert de Souza Duarte, que defende a dona do asilo e a filha dela, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito, mas já protocolou um pedido de liberdade provisória. Segundo ele, a expectativa é que a audiência de custódia em que a Justiça vai decidir pela manutenção da prisão ou pela soltura das mulheres seja realizada na segunda-feira (29).

Ainda de acordo com Duarte, em relação ao caso da idosa com lesão no crânio, a família teria informado que ela já teria um afundamento na região da cabeça e que não seria uma situação recente. Mas o advogado disse não poder afirmar se houve outra lesão posteriormente.

Por meio de nota, a prefeitura disse que, desde o primeiro momento, prestou toda assistência necessária, encaminhando duas equipes médicas ao local, que constataram a necessidade de cuidados hospitalares em nove idosos.

Segundo o hospital, alguns idosos apresentam desnutrição, desidratação e anemia. Também há casos de pneumonia e infecção respiratória.

A prefeitura informou que o asilo é particular, se encontrava irregular e já era acompanhado pela Vigilância Sanitária. No entanto, todas as vezes que venciam os prazos estipulados pelo órgão de fiscalização municipal, a clínica mudava de endereço.

Em 2017, o Ministério Público encontrou a instituição novamente e acionou a Vigilância Sanitária para que fosse averiguada a condição de funcionamento e exigências legais. Foi feito levantamento das irregularidades e desde então o órgão trabalha com prazos para instituição cumprir.