Prefeitura de São Paulo vai suspender auxílio-aluguel de quase 5 mil famílias

0
Crédito: Reprodução TV Globo

Se você é retirado de algum lugar de risco ou favela que vai passar por reurbanização, tem direito de receber da prefeitura de São Paulo um benefício chamado auxílio-aluguel. São R$ 400,00 por mês que, em tese, servem pra ajudar a pagar o aluguel de uma nova casa, até que você tenha um lugar definitivo pra morar. Pouco mais de 26 mil famílias recebem o dinheiro, que é sacado em agências do Banco do Brasil.

Foi com ajuda do banco que a prefeitura fez, pela primeira vez, um relatório dos saques, já que o recadastramento – que deveria ser anual – nunca foi feito. No pente-fino, eles descobriram 510 casos em que as pessoas sacaram o dinheiro pelo menos quatro vezes neste ano em outros estados, como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Ceará. Além disso, acharam 441 casos de saques em cidades do interior, como Franca, e outras 3.928 pessoas que tiraram o dinheiro de agências da Região Metropolitana de São Paulo, a maioria em Embu das Artes, uma cidade de 270 mil habitantes, o que chamou a atenção e desencadeou uma investigação separada.

--
-Continua depois da publicidade ©-
--

Foi, então, que decidiram mandar cortar a partir do mês que vem o pagamento para essas 4.879 famílias. Usaram como base uma portaria dizendo que morar na capital paulista é exigência para receber o auxílio.

O martelo foi batido pelo próprio prefeito na última quarta-feira sob protestos das equipes de assistência social. Para o presidente da unidade paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil, Fernando Tulio, é preciso investigar irregularidades, sem prejudicar quem realmente precisa do dinheiro.


-Continua depois da publicidade ©-

“Essa separação do joio com o trigo tem que ser feita porque existem outras famílias que receberam o benefício, tiveram suas vidas estruturadas e por conta do aumento do preço de aluguel, sobretudo nas grandes capitais, têm que morar em uma região muito distante do centro, na periferia das regiões metropolitanas. E essa pessoas que já moram longe e já têm a vida desestruturada, não poderiam ser prejudicadas por um critério que não leva em conta sua própria condição de vulnerabilidade”, diz.

Em entrevista à CBN, o prefeito Bruno Covas explicou que as pessoas podem eventualmente reverter o bloqueio.

Bruno Covas: “Vamos bloquear o pagamento dessas pessoas já em agosto. É claro que eles podem já a partir de agora comprovar que eventualmente moram em São Paulo, mas trabalham em São Bernardo, moram em São Paulo mas estão passando férias em Santos, enfim, você tem uma série de circunstâncias, não é porque tira naquela cidade que mora naquela cidade.”

Repórter: “Mas não seria o caso de fazer uma entrevista individual antes para saber o que está acontecendo com essas pessoas? É o que a assistência social da prefeitura quer.”

Bruno Covas: Nós vamos bloquear aqueles que estão recebendo fora da cidade de São Paulo e aquele que comprovar que mora aqui na cidade de São Paulo vai receber inclusive os valores em atraso.

Um outro dado que a pesquisa levantou foram indícios do uso do cartão do auxílio-aluguel para compras em débito para valores menores, o que poderia sinalizar um desvio de função do dinheiro.