Hospital São Lucas passa a gerir UTI’s a partir de segunda-feira (15)

“Estamos realmente em uma força tarefa para fazer as UTI’s funcionar”, afirma gestora do HSL

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A partir da próxima segunda-feira, dia 15 de julho, a gestão das unidades de tratamento intensivo (UTI’s) de Lucas do Rio Verde-MT passarão a ser de responsabilidade do Hospital São Lucas (HSL).

Essa semana finalizou o processo de transição da gestão, passando do Instituto Santa Rosa à Fundação Luverdense de Saúde. A informação foi confirmada pela gestora do Hospital São Lucas, Gabriela Refatti, ao site CenárioMT.

Após o anúncio oficial da desistência do instituto Santa Rosa, de Cuiabá, em administrar as unidades de terapia intensiva, a direção do HSL iniciou várias tratativas junto ao Poder Público municipal e estadual, a fim, de evitar o fechamento das UTI’s. No comunicado enviado a direção do HSL, o instituto Santa Rosa alegou não conseguir manter os serviços, tendo em vista a demora do governo estadual em fazer os repasses para manutenção dos serviços.

“Então começamos os trabalhos para analisar qual seria a viabilidade do hospital em levantar outras empresas, e ao fim do trabalho foi apresentado a todo Conselho (Fundação Luverdense de Saúde, mantenedora do HSL), e também conversamos com o Poder Público e até mesmo o próprio estado à possibilidade de assumirmos a gestão. A fundação fez um plano de ação para assumir, de fato essas UTI’s”, afirmou Refatti.

“Nos últimos dois anos ao menos duas empresas passaram pela gestão das UTI’s e a Fundação quer dar mais estabilidade a esse serviço. Sabemos que as UTI’s são serviços essenciais e vem como prioridade sempre, para qualquer gestão”, frisou.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou a manutenção dos repasses ao município de Lucas do Rio Verde ao valor de R$ 1,3 mil diários por leito ocupado – aproximadamente R$ 570 mil/mês. O Estado prorrogou ainda, o prazo para habilitação dos leitos de UTI até o dia 31 de dezembro deste ano.



Por sua vez, a prefeitura municipal garante subvenção de R$ 150 mil mensais para os custeios com o funcionamento dos leitos. “A soma dos valores repassados pelo Estado e Município gira em uma receita de R$ 700,00 mil/mês, porém, a despesa das UTI’s, fixas, gira em torno de R$ 850 mil/mês. Então, já estamos trabalhando junto a Secretaria Municipal de Saúde, o aumento dessa subvenção e também vamos trabalhar as internações por convênios e particulares, pois temos quatro leitos que são destinados a esse público. Estamos realmente em uma força tarefa para fazer as UTI’s funcionar”, disse Gabriela.

Atualmente, a UTI do Hospital São Lucas destina oito leitos neonatais e oito leitos para adultos a pacientes do Serviço Único de Saúde (SUS).

“Já fizemos todo planejamento para dar continuidade com tranquilidade aos serviços. Então, já estabelecemos as parcerias com instituições financeiras para nos auxiliar nesse início, porque, somos sabedores que teremos pelo menos 90 dias de gap (lacuna) financeiro, pois o Estado tem tido essa média de demora nos repasses. Por outro lado, temos o Município que se propôs a entrar nessa luta conosco e já temos subvenções aprovadas para darmos continuidade aos serviços de UT’s agora enquanto Fundação Luverdense de Saúde”.

HABILITAÇÃO SUS 

A Fundação Luverdense de Saúde, através de sua atual gestão, vem trabalhando junto ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde, a possibilidade de aumentar os valores das diárias repassadas.

Caso isso ocorra, o HSL terá condições para contratação de serviços especializados, que hoje são exigências para que os leitos de UTI’s sejam habilitados a receber verbas do Sistema Único de Saúde – SUS.

“Nós já iniciamos esse processo, juntada de documentação, mas mesmo assim, existem serviços que não estão disponíveis na região, e que para se estruturar necessita de investimentos financeiros, e hoje, com esses valores de diárias do Estado, fica inviável”.

 

ESPECIALISTAS

De acordo com a gestora da HSL, Gabriela Refatti, existe uma política de regionalização da saúde por parte do Governo do Estado. Cabendo dessa forma, aos polos regionais de saúde, em manter profissionais especializados.

Pelo fato do município de Lucas do Rio Verde não ser um desses polos (sendo hoje Sorriso e Sinop), não há a exigência, por exemplo, de neurocirurgiões em tempo integral na unidade de saúde.

“Os polos regionais são responsáveis e contratualizados para que atendam a essas especialidades. Nós não somos hospital regional, somos uma entidade filantrópica sem fins lucrativos e que presta serviços ao SUS. Nesse sistema de regionalização cada polo é responsável por algumas especialidades, pois é impossível mantar um neurocirurgião, por exemplo, em cada município”, explicou Refatti.

Quando há a necessidade, os pacientes que precisam de certas especialidades são transferidos para os polos responsáveis por tais serviços.

O quadro de funcionários dentro das Unidades de Tratamento Intensivos em Lucas do Rio Verde é composto por: técnico de enfermagem, enfermeiros e médicos intensivistas.