“No valor global, nos próximos dez anos, a economia para o Município de Lucas do Rio Verde, com um pequeno investimento em infraestrutura, chega na ordem de R$ 600 milhões”, aponta Feliciano Azuaga, Doutor em Economia e professor da Unemat.

A informação faz parte de um estudo técnico de avaliação de impacto de projetos de infraestrutura feito pelo Centro de Informações Socioeconômicas (Cise), da Universidade Estadual de Mato Grosso.

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Entre outros dados, o estudo apresenta o impacto social e econômico que as obras geram para a sociedade, especialmente em saneamento, que gera impacto em saúde, educação e produtividade, e pavimentação, que gera impacto nos bairros, na saúde e na valorização imobiliária.

Foto: Ascom Prefeitura/Carolina Matter

“Muitos questionam o valor a ser investido, mas a nossa pergunta é: o quanto de retorno social terá? E é isso que a gente tenta medir, o quanto custa um filho doente, o quanto custa uma UTI, o quanto custa o número de contaminações, o quanto custa de pessoas que querem vir para Lucas do Rio Verde porque é uma cidade com boa infraestrutura; é isso que a gente quantifica para dar clareza para as pessoas tomarem decisões mais apropriadas”, ressaltou Azuaga.


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O documento aponta, através de indicadores, o retorno financeiro, e mensura os impactos sociais com a execução do projeto de investimentos. A proposta da Prefeitura de Lucas do Rio Verde é fazer investimentos e colocar a cidade em um movimento para gerar ainda mais desenvolvimento. Os recursos serão destinados à aquisição de material para a execução do esgotamento sanitário dos bairros Bandeirantes e Parque das Emas e do Loteamento Dalmaso, bem como aquisição de máquinas, equipamentos e usina CBUQ, para a execução do sistema de esgotamento sanitário, além da execução de recuperação asfáltica das obras realizadas e aquisição de material para pavimentação e recapeamento asfáltico de diversas vias localizadas na municipalidade.

“Investir, por exemplo, cerca de R$ 17 milhões em esgoto, gera um impacto só no segmento de saúde de mais de R$ 90 milhões nos próximos dez anos porque evita patologias vinculadas à contaminação de água; gera impacto também na melhora da produtividade educacional porque as crianças vão ficar menos adoentadas por contaminações bacterianas e assim faltar menos às aulas; e gera impacto econômico, quando você injeta novos investimentos em infraestrutura, isso movimenta a construção civil e, principalmente, o segmento de serviços da cidade. Como Lucas do Rio Verde é um dos ícones em dinâmica econômica do estado de Mato Grosso, é como se eu injetasse mais gasolina num motor que já é bom”, afirmou Feliciano.

Conforme o professor, o estudo apresenta números e valores para facilitar a avaliação das pessoas com relação aos benefícios. “Quando a gente investe na educação e na saúde dos nossos filhos, a gente sabe que o impacto é para que ele seja uma pessoa saudável, para que ele tenha uma boa educação, seja um bom profissional. Então, quando a gente investe na infraestrutura de um município, é para que essa infraestrutura esteja pronta quando o município for demandado, pra quando as pessoas ou empresas forem escolher um município para morar e investir, seja escolhido aquele que não tem problemas de saneamento, seja aquele que tenha melhor infraestrutura de energia, de água, de esgoto, de conectividade e de pessoas qualificadas. Ninguém quer morar num local que não tenha pelo menos a infraestrutura básica, lazer e entretenimento, que não tenha boa escola, boa educação, boa saúde. Então, se o município começa a observar onde o retorno é mais alto, ele direciona melhor seus investimentos”, observou.

Sobre o projeto luverdense, Azuaga apontou como diferencial a aquisição da usina de asfalto, que deve gerar economia por muitos anos.

“Eu posso pegar um recurso e usar como custeio, por exemplo, realizar a pavimentação de apenas uma faixa de asfalto, isso é um projeto tranquilo, usual, mas se tem um projeto que vai criar uma infraestrutura pra cidade se tornar autossustentável em asfalto, esse projeto é melhor porque ele continua gerando receita ao longo do tempo. E o projeto de pavimentação em Lucas do Rio Verde é diferenciado porque ele vai gerar uma infraestrutura para pavimentação que vai gerar uma economia nos próximos 15 anos e isso em dois aspectos: no preço mais barato do asfalto e na melhora da qualidade”, completou.

A exemplo de outros municípios e estados que têm buscado alternativas para os investimentos, como no caso os financiamentos, o professor considerou que o projeto de Lucas do Rio Verde “é algo viável, é algo desejável”, assegurando que este “é um serviço básico e que as pessoas merecem ter acesso. Na Europa, esgoto é um problema que já foi resolvido há mais de 200 anos e aqui ainda temos cidades sem esgoto. E se eu tenho gastos com saúde, a questão é: se eu investir em saneamento, eu posso resolver isso e economizar nessa rubrica, tendo assim até recurso disponível para aplicar em outras áreas”.