O chefe de Estado do Exército da Etiópia e ao menos três outras autoridades foram assassinados em partes diferentes do país, durante uma tentativa de golpe por parte de um general.

Seare Mekonnen, o chefe do exército, foi assassinado com um disparo de seu próprio guarda-costas, em sua residência na capital do país, Adis Abeba, de acordo com o relato de um porta-voz do primeiro-ministro da Etiópia à agência Associated Press.

Um militar que visitava o general Mekonnen naquele momento também foi morto.

Um outro ataque aconteceu em Bahir Dar, a capital do estado de Amhara: o governador, Ambachew Mekonnen, e um assessor, Gize Abera, foram assassinados.

Os homicídios estão conectados, de acordo com o porta-voz do governo, Nigussu Tilahun.

Mortes fazem parte de tentativa de golpe

O chefe da segurança da região de Anhara, o general Asamnew Tsige, liderou uma tentativa de golpe, segundo os canais estatais.

Amhara, além de um estado do país, é uma das etnias mais populosas da Etiópia. Há uma semana, o general Asamnew havia dito no Facebook que os Amhara deveriam se armar.

Oficiais do governo regional estavam em um encontro para decidir como lidar com o general Asamnew, que estava abertamente recrutando milícias, quando começou a ação.

Os moradores da capital do estado de Amhara, Bahir Dar, afirmaram ter ouvido tiros em alguns bairros, e que algumas vias haviam sido bloqueadas no sábado.

A embaixada dos Estados Unidos afirmou estar ciente desses relatos, e alguns residentes disseram ter ouvido tiros perto do aeroporto. Os funcionários do corpo diplomático foram aconselhados a não ir às ruas.

O governador do estado, então, foi assassinado por pessoas próximas, de acordo com o primeiro-ministro Abiy Ahmed, em um pronunciamento televisionado.

“A maior parte das pessoas que tentaram dar o golpe estão presas, ainda que algumas estejam foragidas”, afirmou, neste domingo (24), o general de brigada Tefera Mamo.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed fez um discurso na TV no qual falou sobre o assassinato do governador.

Primeiro-ministro tenta liderar reformas políticas, mas seu governo é marcado por aumento da violência

Desde que ele foi nomeado, em abril de 2018, Abiy tentou liderar reformas políticas no país.

Ele conseguiu tirar a Etiópia da iminência de uma implosão política: soltou prisioneiros políticos, tirou partidos da clandestinidade e entrou com ações judiciais contra oficiais que tinham cometido delitos de direitos humanos.

O governo dele, no entanto, tem que lidar com uma violência crescente, e com pressão de políticos e militares com força regional, inclusive no estado de Amhara.