Bebês prematuros podem ter mais propensão ao autismo e a transtornos de déficit de atenção

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Fonte: Unsplash.com

As conexões formadas no cérebro de bebês prematuros podem aumentar o risco de autismo, sugere um estudo publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS). Uma grande e importante parte do desenvolvimento do cérebro acontece durante as primeiras 40 semanas de gestação e, se esse processo acontece dentro ou fora do útero, terá um efeito direto no cérebro do bebê.

Os resultados indicam que quanto mais precoce o nascimento, mais diferenças existem nas conexões cerebrais. Como resultado, bebês prematuros correm mais risco de problemas de neurodesenvolvimento, incluindo autismo e transtornos de déficit de atenção (ADD).

O estudo comparou os exames cerebrais por ressonância magnética de 66 crianças, em média, 42 semanas após a última menstruação das mães antes de engravidar. Destes bebês, 19 nasceram no tempo ideal, o que ocorre dentro de uma média de 40 semanas após a gestação, e 47 bebês nasceram prematuros, antes de 33 semanas.

Entre 37 e 42 semanas, as regiões do tálamo e do córtex do cérebro desenvolvem conexões rapidamente. Como a maioria dessas conexões se forma enquanto o bebê ainda está dentro do útero, os cientistas estão interessados ​​em descobrir o que muda nessas conexões quando um bebê prematuro as desenvolve fora do útero, em uma unidade neonatal.

Os bebês que nasceram dentro do tempo ideal apresentaram conexões cerebrais maduras, semelhantes às dos adultos. No entanto, os bebês prematuros não apresentavam tantos elos entre o tálamo e o córtex, regiões associadas a funções cognitivas superiores. Esse déficit pode estar associado a um maior número de dificuldades no futuro.

Os pesquisadores também notaram que os bebês prematuros tinham mais ligações entre o tálamo e o córtex sensorial primário. Esta região está associada ao processamento de sinais da face, lábios, mandíbula, língua e garganta. Acredita-se que essas conexões sejam fortalecidas pela exposição precoce de uma criança prematura à amamentação, mamadeira e chupetas.

As áreas que apresentaram um número semelhante de conexões em bebês prematuros e não prematuros eram regiões do tálamo envolvidas na visão, audição e na atividade sensório-motora, que é o processo de receber informações sensoriais do ambiente e produzir uma resposta motora ou de movimento.

Com esta pesquisa, os cientistas esperam identificar quais estilos de cuidado e medicação são mais eficazes para bebês prematuros.

“A capacidade da ciência moderna de averiguar as conexões no cérebro teria sido inconcebível há apenas alguns anos, mas agora podemos observar o desenvolvimento do cérebro em bebês à medida que eles crescem”, afirmou o Dr. David Edwards, autor e professor da Universidade King’s College de Londres, em um comunicado de imprensa. “Isso provavelmente produzirá benefícios notáveis ​​para a medicina”.

Prevenção e informação

Diminuir o números de partos prematuros é o primeiro passo para combater os problemas que afetam os bebês prematuros. No Brasil, a situação é especialmente preocupante, já que a condição sócio-econômica de muitas mães e pais não permite um tratamento pré-natal adequado.

A informação é também uma grande aliada na conscientização da importância do pré-natal para a saúde da mãe e do bebê. “Muitos pais têm assumido o seu papel na gestação e cada vez estão se informando mais sobre o pré-Natal e como ajudar a mãe e o bebê durante o tratamento”, conta Lucas Coppi, coordenador do site CantinhoDosPapais.