O clima chuvoso dos últimos dias tem atingido o Rio Grande do Sul, e na agropecuária os prejuízos são uma realidade, provocando perdas e afetando produções, criações e propriedades rurais.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou um dado preocupante: 33% do solo mundial sofre degradação de moderada a alta, devido à erosão e compactação, perda de nutrientes, acidificação, urbanização e poluição química. Assim, caso não forem aplicadas medidas e ações que visam à conservação e ao manejo adequado dos solos, base produtiva de todas as atividades agropecuárias, a produção de alimentos pode ser seriamente afetada.

Mesmo onde é adotada a semeadura direta, o manejo inadequado, pouca cobertura no solo, o excesso de lotação animal, a falta de rotação de culturas e a utilização de máquinas e equipamentos mal dimensionados, têm comprometido a produtividade em inúmeras áreas agrícolas.

Além disso, o uso e o manejo inadequado do solo, além de prejudicar a capacidade produtiva, afetam o armazenamento de água no solo, a regularização da vazão dos mananciais hídricos, o abastecimento de água e a geração de energia elétrica. Mesmo em períodos de baixa precipitação, muita água é perdida por escorrimento superficial, devido à
baixa capacidade de infiltração e retenção de água no solo. Se os cultivos fossem realizados de forma transversal ao declive, com terraços, por exemplo, a água da chuva ficaria retida por mais tempo sobre a superfície, infiltrando mais água no solo e suprindo a escassez de água em períodos de curtas estiagens.

Muitos dos problemas enfrentados por agricultores em situações alta pluviosidade ou estiagens podem ser amenizados se o solo for manejado de forma adequada, e essa época de entressafras, entre março e junho, favorece a adoção de práticas que possam recuperar a qualidade e a fertilidade do solo.

Para tal, nossos técnicos recomendam a operação colher/semear, que visa proteger o solo e adicionar palha ao sistema, através da cobertura do solo com ressemeadura de milho grão, milheto, capim-sudão, sorgo, nabo-forrageiro, aveia preta ou outros cereais de inverno.

Através da Política Estadual de Conservação do Solo e da Água, instituída no Rio Grande do Sul em 4 de dezembro de 2015 (Decreto n° 52.751), estamos contabilizando muitos avanços no uso de tecnologias para manter a água no solo, permitindo sua infiltração e evitando erosão e sedimentação.

Em parceria com entidades governamentais e não governamentais, que têm, como meta, melhorar as relações produtivas, sociais e ambientais e aumentar a produtividade e a produção agrícola do RS, lançamos no Estado o “Conservar para produzir melhor”, um Programa Estadual de Conservação do Solo e da Água.

A partir desse Programa, a Emater/RS-Ascar montou um Grupo de Trabalho que orienta secretários municipais da Agricultura, prefeitos, lideranças locais, produtores e técnicos sobre os problemas relacionados ao manejo inadequado do solo, envolvendo ainda instituições de ensino, pesquisa e extensão rural de todo o Estado, além de representantes dos governos estadual e federal e de entidades ligadas à agricultura familiar.

Também foram criadas Unidades de Referência Técnica (URTs) em todas as regiões, para serem utilizadas nos dias de campo para trocas de experiência e capacitação de técnicos e agricultores, trabalho esse realizado em parceria com as coordenadorias regionais da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), cooperativas vinculadas à CCGL Tec e demais entidades regionais.

Pelo nosso envolvimento e comprometimento na busca pela proteção e conservação da qualidade do solo e da água no Rio Grande do Sul, estamos convencidos que, junto com nossos parceiros, temos muitos desafios a enfrentar, mas que com essas capacitações e orientações técnicas estamos sensibilizando e conscientizando os agricultores gaúchos a acreditarem e a investirem nesses recursos, solo e água, que são a base e o sustento da nossa economia e que garantirão alimentos em qualidade e quantidade para todos os gaúchos.

Conservar para produzir melhor, um presente para o futuro da agricultura gaúcha.

Alencar Paulo Rugeri- Diretor técnico da Emater/RS e superintendente técnico da Ascar