China já eliminou um quarto do rebanho suíno

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O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, revelou no  Seminário Técnico Tendências na Cadeia Produtiva de Suínos, na Suinofest 2019 em Encantado, que os chineses já eliminaram mais de 25% do plantel suíno pela ocorrência de Peste Suína Africana. “Foram enterradas no mínimo 12 milhões de toneladas, com perspectiva de chegar a 16 milhões”, revelou o dirigente. Ele recebeu as informações na manhã desta sexta, de um diretor da ABPA que está na China. Segundo Turra no painel “Cenário Mundial da Carne Suína”, todas as províncias chinesas registraram focos da doença e outros 16 países já detectaram casos e, com isso, faltarão oito milhões de toneladas no comércio mundial de carne suína apenas para atender a China. “O Brasil precisa preservar a credibilidade e a condição sanitária para ganhar esse mercado, a exemplo do que aconteceu com a avicultura no episódio da gripe aviária em 2006,quando o país alcançou o primeiro lugar no comércio mundial e não perdeu mais a posição”, lembrou.

O Seminário foi realizado no auditório do Sicredi e reuniu trezentos participantes. O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal, através do Conselho Técnico Operacional da Suinocultura é apoiador do evento. O presidente do Fundo, Rogério Kerber, falou na abertura que o Brasil vive um momento auspicioso na suinocultura e que, mesmo assim, não pode desconsiderar que “2019 é o ano mais desafiador do setor no Brasil, em função da necessidade de manter o status sanitário do rebanho suíno”. Por isso, destacou Kerber, os temas propostos no seminário, relacionados ao bem-estar animal e doenças emergentes são fundamentais para levar informação e qualificação da atividade no Rio Grande do Sul.


Sobre o tema “Bem-Estar Animal – Considerações sobre o tema na visão da indústria”, as médicas veterinárias Vanessa Basquerote e Maiquieli Deon, da Aurora Alimentos, apresentaram conceitos e falaram sobre a necessidade de abordar o assunto com base em conceitos científicos. “Precisamos adotar posturas técnicas e ações regulatórias coerentes na busca do equilíbrio deste tema em todos os aspectos”, frisou Maiquieli.

No painel “Controle de Salmonela na Cadeia Produtiva de Suínos para atender a IN 60”, a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Kich, apresentou os desafios de produtores e indústrias para reduzir a contaminação. “Quem tem controle de qualidade não terá grande dificuldade em atender a normativa. Mas é importante controlar a bactéria ainda na fábrica de ração e na granja, antes de chegar no frigorífico”, destaca. Jalusa também afirmou que a palavra monitoramento é muito importante em todos os elos, especialmente nas fábricas de ração.

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Finalizando o evento, o professor da Ufrgs e Coordenador do Comitê Estadual de Suinocultura, David Barcellos, falou sobre Doenças Emergentes e Cuidados com Biosseguridade. Abordando especialmente a Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRSS) e Peste Suína Africana PSA), afirmou que para as duas doenças e outras tantas, os cuidados são os mesmos. “As ações de prevenção e controle envolvem atividades de biosseguridade e restrição de acessos. Já existe muita informação, todos já sabem o que fazer, é preciso apenas adotar as medidas”, finalizou.