Custo para produzir milho aumenta e agricultores armazenam sacas para evitar prejuízos nas vendas em MT

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Os custos para a produção de milho, em Mato Grosso, aumentou neste ano e os produtores afirmam que boa parte do milho já colhido está guardado em armazéns das fazendas. Segundo os produtores, a ideia é esperar o preço do milho aumentar para começar a vender e não ter prejuízos com o lucro.

Segundo os produtores, em 2018, a cada 100 sacas por hectare, cerca de 75 a 80 sacas foram usadas para cobrir custos. Já neste ano a estimativa é de que sejam necessárias 90 sacas para cobrir os gastos de produção.

“A gente vem notando que a cada ano o preço da semente e do adubo vem subindo, o diesel também não para de aumentar. Então, por isso, teria que vender a R$ 25 a saca para não ter muito prejuízo”, lamentou o produtor rural César Kempf.

Mesmo não tendo armazém na propriedade, César disse que pretende pagar pelo armazenamento de parte da produção e esperar por preços melhores.

Segundo ele, a colheita começou no tempo planejado e metade da produção já foi comercializada de forma antecipada. As sacas foram vendidas com preços entre R$ 18 e R$ 20, considerados baixo.

“Vou entregar em um armazém e vou pagar o serviço que o armazém me presta para guardar meu grão. Fica na média de R$ 1,5 real por saca para receber e armazenar por um período de dois a três meses”, explicou.

O gerente de uma fazenda em Sinop, a 503 km de Cuiabá, Elton José Cargnin, informou que a colheita de milho na fazenda dele está com um adiantamento de 20 dias dentro do prazo que tinha previsto, pois tem um contrato a cumprir com a ntrega 6 mil toneladas de milho nos próximos dias.

No entanto, segundo Elton, os grãos estão com umidade entre 20% e 22%, acima do ideal, que é de 14%. Com isso, a propriedade deve gastar ainda mais com lenha para secar o milho.

Atualmente, a saca de milho na região está sendo comercializada entre R$ 20 e R$ 21.

“A expectativa é que se mantém esses valores e, a medida que a colheita for avançando, a gente já vai vendendo esses milhos. Como ainda tem uma quantidade de soja na fazenda, precisamos se desfazer do milho nesses valores e segurar a soja para vendas futuras”, ressaltou.

O gerente afirmou que a fazenda possui sete armazéns. Desse, seis ainda estão ocupados com 60% da produção de soja que foi colhida na última safra e ele também está aguardando por preços melhores para começar a vender o grão.

“Tem que fazer um projeto muito bem feito para não ficar no vermelho. Hoje as compras são planejadas, para chegar ao melhor preço na hora de vender o produto. Não tá fácil se manter no negócio. Temos que elaborar bem e não podemos ter muito desperdício”, pontuou.