Em 15 dias, movimentação do talude de mina da Vale em Barão de Cocais passou de seis para 33 centímetros

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Foto: Reprodução/TV Globo

Em duas semanas, a velocidade da movimentação do paredão (talude norte) da cava da mina de Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais, aumentou de 4 a 6 centímetros para 33,4 centímetros por dia. A informação é da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Parte da estrutura deslizou para dentro da cava nesta sexta-feira (31). O fragmento, de acordo com a Defesa Civil, tinha cerca de 600 m². A Barragem Sul Superior, a 1,5 km do talude, não foi afetada.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a tendência é que haja um escorregamento lento e gradual para o fundo da cava. Mais de trinta militares estão na cidade.

Ainda de acordo com a corporação, a equipe de geotecnia da Vale informou que não foi possível catalogar os deslocamentos em pontos isolados.

Saiba quais são os riscos em caso de rompimento do talude da Mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais — Foto: Roberta Jaworski/G1

Saiba quais são os riscos em caso de rompimento do talude da Mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais — Foto: Roberta Jaworski/G1

Veja áreas que podem ser atingidas e onde população pode se refugiar em caso de rompimento de barragem em Barão de Cocais — Foto: Arte: Juliane Monteiro e Diana Yukari/G1

Moradores

Cerca de 500 moradores da área mais próxima da mina, chamada de zona de autossalvamento, já estavam fora de casa desde fevereiro. As mais de 6 mil pessoas que vivem na zona secundária de segurança, a cerca de 15 km do talude, só devem deixar suas casas se a barragem se romper.

O volume da Sul Superior é de cerca de 6 milhões de m³, quase a metade da Barragem do Córrego do Feijão que se rompeu em Brumadinho no dia 25 de janeiro e matou 245 pessoas. A lama de rejeitos da barragem em Barão de Cocais demoraria 1h12 para chegar até a zona secundária.

A população da cidade fez dois simulados de emergência. Em caso de queda da barragem, alarmes serão disparados e carros de som vão orientar as pessoas a sair de casa. Nesta hipótese, de acordo com a Defesa Civil, moradores devem seguir para pontos de encontro determinados (veja no mapa).

Talude

O paredão se formou à medida que Mina do Gongo Soco foi sendo escavada para retirada de minério de ferro.

A mineradora falou, em fevereiro deste ano, sobre os riscos para a barragem com a queda do talude da mina. Segundo a empresa, as vibrações no solo poderiam causar o rompimento da estrutura que contém os rejeitos de mineração.

E um mar de lama poderia se espalhar por uma parte de Barão de Cocais. Seria a terceira tragédia ambiental envolvendo barragens no Brasil em menos de quatro anos.

Desmatamento

A Vale começou o desmatamento de áreas particulares próximas a Barão de Cocais, na Região Central de Minas, antes mesmo de ter autorização da Justiça para a intervenção, aponta um documento a que o MG2 teve acesso.

A justificativa da empresa para fazer obras na região é o risco de rompimento da barragem Sul Superior, na Mina de Gongo Soco.

Muitos moradores estão se sentindo impotentes diante das máquinas gigantescas e das obras realizadas pela Vale na região. A mineradora conseguiu na Justiça o direito de ocupar pelo menos sete terrenos particulares que ficam próximos da barragem Sul Superior.