Com 20 anos de experiência no ramo, Antônio Carlos comenta que além de agilizar a aplicação, a aeronave economiza até 1.000% mais água que um trator

Em tramitação na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o Projeto de Lei nº 483/2019, que altera a Lei nº 8.588/2006, proibindo a aplicação aérea de agrotóxicos e seus componentes por meio de aeronave ou por meio afim, tripulada e não tripulada, inclusive por meio de drone, vem causando polêmica.

Os deputados discutiram a proposta na última quarta-feira (22), porém, houve pedido de vistas a matéria por parte do próprio autor, deputado Lúdio Cabral, tendo em vista a importância do assunto para o setor agrícola.

Cabral defende a proibição das aeronaves na pulverização, afirmando que esse modelo pode atingir grandes extensões de terras além da área aplicada, agravando a contaminação da biodiversidade.

Antônio Carlos Martelli

Diante do cenário, representante do agronegócio e empresários do ramo, iniciaram tratativas para evitar a aprovação da matéria, tendo em vista os benefícios do uso de aeronaves e sua importância para a produção de grãos.

Projetos semelhantes estão em tramitação em vários estados brasileiros.
Aviador há 24 anos, sendo que 20 deles na aviação agrícola, Antônio Carlos Martelli, comenta que a aviação agrícola causa menos impacto ambiental, pois o consumido de água é bem menor do que a pulverização tratorizada.
A aviação agrícola é ecologicamente correta, pois gasta apenas 10 litros de água para aplicar 1 hectare, enquanto que o trator gasta 100 litros. Então ela gatas 1.000% menos que água. A água segundo especialistas, é um recurso escasso e poderá acabar em alguns anos e duraria muito mais se usássemos somente aviões”, comentou o comandante.



A aviação agrícola no Brasil é regida pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), “que controla tipo de aplicação, pátio de descontaminação, controla nosso pessoal de terra, pois necessita de um engenheiro agrônomo e um técnico agrícola com curso de executor monitorando parâmetros de temperatura e umidade e o vento, para que possamos fazer a aplicação e não dê deriva. Precisamos informar ao MAPA às áreas que são aplicadas”, salientou Antônio Carlos.

As aeronaves que fazem as aplicações de defensivos precisam ser periciadas anualmente, bem como os pilotos precisam passar por exames periódicos. Além do MAPA, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, assim como a Secretaria Municipal fiscalizam as atividades.

Outra vantagem de usar aeronaves para aplicações nas lavouras é a agilidade, de acordo com Antônio Carlos. “Enquanto um avião faz até 3 mil hectares por dia, o trator faz apenas 500 hectares, além do baixo custo. E a gente produzindo alimentos com custo baixo, isso se reflete lá no final , na mesa do consumidor que mais precisa. No caso do milho seus derivados, exemplo. Então o alimento fica mais barato se ele for produzido de maneira mais barata, né”, acrescentou.

Mato Grosso possuiu uma área destinada ao cultivo em torno de 9.519 milhões de hectares, sendo o maior celeiro na produção de grão do Brasil.