O crescimento da produção de etanol a partir do milho já é uma tendência no Brasil. E o surgimento de usinas mistas, que podem fabricar o biocombustível a partir do grão ou da cana-de-açúcar, dependendo da época, pode ainda acelerar esse processo. Nesta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou levantamento que mostra que o milho já é responsável pela produção de cerca de 1,4 bilhão de litros de etanol por ano no país. O volume corresponde a 4,6% do total de 30,3 bilhões de litros de etanol previstos para a safra 2019/2010 no Brasil.

“Existe uma tendência de aumento da produção de etanol de milho no Brasil bastante acentuada. Principalmente, na hora em que as usinas tradicionais caírem na realidade de que elas podem otimizar o processo colocando o milho na entressafra da cana-de-açúcar. Não é para todas as usinas, porque há lugares que não têm produção de milho, não têm mercado. Isso vale a pena para regiões como o Mato Grosso, por exemplo. O milho já está lá. Você não tem de pagar frete”, explica Maurílio Biagi, vice-presidente da SNA.


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Biagi ressalta que a produção atual de etanol de milho no Brasil ainda é basicamente das usinas que usam somente o grão para produzir o combustível, como nos Estados Unidos. Entretanto, ele lembra que já começam a aparecer usinas mistas que processam cana-de-açúcar na maior parte do ano e, na entressafra deste insumo, produzem etanol a partir do milho.

Investimento em usinas mistas

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Um dos exemplos citados por ele é a tradicional Usina Itamarati, no Mato Grosso, que, segundo o executivo, fará um investimento para produzir o etanol também a partir do milho, além do combustível de cana. “Na minha opinião, esse é o melhor modelo. Assim você pode aproveitar os 12 meses do ano. Acho que as unidades que processam milho e cana vão crescer muito, principalmente nessas regiões de Mato Grosso, Goiás, Paraná. Todo mundo está pensando em fazer essa complementação”, avalia.

Se for considerado somente a questão energética, Biagi reconhece que o milho é menos eficiente do que a cana.  “No caso do milho, é preciso usar um combustível para gerar a energia para o processá-lo, que pode ser o bagaço da cana, ou madeira, ou cavaco. Principalmente, o cavaco aqui no Brasil. Ou até o petróleo, como nos Estados Unidos. Por isso, se diz que o etanol americano é um combustível sujo”, acrescenta.

Por outro lado, o milho tem outras vantagens, como a maior possibilidade de armazenagem. “A cana você não pode armazenar por meses e também não se tira ela do canavial no período chuvoso, como dezembro, janeiro e fevereiro”. Além disso, o vice-presidente da SNA diz que o milho tem preço adequado para o etanol e que gera como resíduo do processo de produção do combustível uma ração. “O milho gera proteína. Essa ração você pode fazer uma integração em zonas de pecuária, que pode transformar o insumo em quilos de carne”.

Maurílio ressaltou ainda que o importante é que, de cana ou de milho, o etanol brasileiro é um combustível limpo. “O etanol pode ser feito de qualquer biomassa. No Brasil, já foi feito até de madeira, mandioca mas isso não é econômico. Mas o que importa é que o etanol brasileiro é um combustível limpo, que polui menos até do que os carros elétricos, que são a aposta da Europa no momento”, concluiu.





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