Conflitos no campo fazem 28 mil vítimas em 2018

Relatório mostra dados de famílias despejadas, vítimas de pistolagem, conflitos por terra indígena, sem-terra envolvidos em conflitos e outros.

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Duas pessoas morreram em conflitos no campo em MT em 2018 — Foto: Edgar Costa/ Paranatinga News

Os conflitos no campo aumentaram em Mato Grosso no ano de 2018 em comparação a 2017. O dado faz parte da 34ª edição do Caderno de Conflitos Brasil 2018, divulgada nesta terça-feira (23).

Segundo informações do site G1, o estado tem mais de 552 mil pessoas que moram no campo. Dessas, 28 mil se envolveram ou sofreram algum tipo de conflito no campo no ano passado.

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que apresentou os dados, o relatório reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, neles inclusos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais.

Segundo Cristiano Cabral, agente pastoral da CPT, Mato Grosso registra um crescimento de violências sofridas contra pessoas e ocupações.

“Houve um aumento na violência no campo em Mato Grosso. Em 36 municípios registramos algum tipo de conflito. Aumentou em 24% em comparação a 2017. O que assusta é o número de pessoas que sofreu ou se envolveu em conflitos”,

O estado está em primeiro lugar no ranking de conflitos no campo – proporcionalmente ao tamanho da população rural – entre os estados da região Centro-Oeste.

O Mato Grosso registrou o aumento de 103,11% de famílias que sofreram ataques de pistoleiros.

Em 2018, 28.598 pessoas se envolveram em conflitos no campo. Foram 633 famílias despejadas, 550 famílias expulsas, 1.164 famílias vítimas de pistolagem, 1.904 conflitos por terra indígena, 1.674 trabalhadores sem-terra envolvidos em conflitos, 949 assentados e 627 posseiros.

“Ainda temos a presença forte do trabalho escravo na estrutura do agronegócio, agropecuária e em plantações de soja, algodão, milho e na mineração”, afirmou Cristiano.