Programa realizado a 27 anos “Peixe Santo” é cancelada em Cuiabá

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Peixe Santo - Foto por Gustavo Duarte

Por recomendação do Ministério Público Estadual (MPE), o programa Peixe Santo não será realizado em 2019.

O programa Peixe Santo, realizado há 27 anos, foi cancelado por decisão do Ministério Público do Estado.

Junto a peixeiros, piscicultores e entidades ligadas à atividade, a Secretaria de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico busca por soluções para fortalecer o setor e levar o projeto à sua 28ª edição, no próximo ano.

A decisão do MP decorre da constatação de inconformidades no cumprimento de exigências de órgãos fiscalizadores, como a falta de documentação obrigatória. A situação, registrada desde outras gestões, esbarra, dentre outros fatores, na inexistência de um frigorífico para o pescado na Capital.

De acordo com a titular da Pasta, Débora Marques Vilar, a gestão vem atuando na orientação dos comerciantes e no desenvolvimento do programa ano a ano. Diante desta situação, contudo, cabe à administração respeitar a medida.

“Nosso papel é promover a atividade, oferecendo, no período do Peixe Santo, estrutura, logística e divulgação. Estamos aqui para contribuir com o fortalecer da atividade. Existem questões, contudo, que fogem da nossa alçada”, explica.

Ela destaca que está em processo de formação uma comissão com peixeiros, representantes da Vigilância Sanitária e Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT). O trabalho do grupo deverá nortear as ações para a retomada do programa.

Em março, cerca de 80 inscritos chegaram a passar por uma das etapas de capacitação obrigatória para a inscrição no Peixe Santo. É o que explica o coordenador Osvaldo dos Santos Lara. “Nos últimos anos houve uma melhora significativa na estrutura do programa e, mesmo com a interrupção neste ano, devemos continuar crescendo”.

 

 

MPMT esclarece que não determinou cancelamento do projeto “Peixe Santo”

A Prefeitura de Cuiabá comunicou que o projeto “Peixe Santo” foi cancelado por recomendação do Ministério Público. No entanto, a 6ª Promotoria de Justiça Cível informa que não recomendou a suspensão da 28ª edição do projeto, mas exigiu que fossem observadas todas as normas sanitárias sobre a procedência, a qualidade, o transporte a armazenamento do pescado comercializado à população.

No ano passado, a administração municipal assumiu expressamente o compromisso de que adotaria as providências necessárias para corrigir as falhas sanitárias detectadas no comércio de pescado durante a Semana Santa, contudo, como essas garantias não foram apresentadas, o próprio gestor cancelou a realização do projeto.

O Ministério Público explica que desde 2016 acompanha o projeto. Na ocasião, a prefeitura interrompeu a iniciativa em razão das inconformidades sanitárias identificadas relacionadas ao controle de produção, abate, conservação, transporte, exposição a venda e comercialização do pescado.

No ano seguinte, em 2017, o município assumiu o compromisso de observar os protocolos de segurança alimentar, mas a situação continuou irregular. Em 09 de março de 2018, durante audiência de autocomposição, na Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa da Cidadania e do Consumidor , o município apresentou ao Ministério Público um modelo de Termo de Responsabilidade para ser aplicado a partir de 2019.

No documento constava a obrigação dos produtores em comercializar pescado fresco em perfeito estado de consumo e provido de estabelecimento que possua registro de Inspeção Federal, Estadual ou municipal. Terminado o prazo, mais uma vez o município não ofereceu as garantias de que a obrigação será cumprida.

Ao contrário, informações repassadas ao Ministério Público revelam que diversos produtores pretendem manter o hábito na venda do pescado sem o registro de inspeção obrigatório. Prática esta que, segundo a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, não só contraria a legislação sanitária como também oferece risco à saúde da população.

Não se trata de informações infundadas, mas tema recorrente abertamente debatido no último fórum de desenvolvimento da cadeia produtiva da piscicultura de Mato Grosso organizado pelo Sebrae e instituições, órgãos do governo, empresários e produtores do segmento”, destacou o MPMT, em recomendação enviada ao município no dia 02 de abril.

No documento, foi recomendado à Diretoria de Vigilância em Saúde a formação de equipes técnicas, em número suficiente para acompanhar, inspecionar e fiscalizar todos os pontos autorizados para o comércio de pescado no período de vigência da 28ª Edição do Projeto Peixe Santo. Entre os pontos a serem observados estão as condições higiênicos-sanitárias em todos os pontos de comércio e a exigência da apresentação do certificado de registro de inspeção do pescado comercializado.

Recomendação enviada à Secretaria Municipal de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico sugere que, em sendo constatada efetivo descumprimento da exigência legal, que seja avaliado a interrupção definitiva das próximas edições do Programa Peixe Santo. “É inadmissível o gestor público subsidiar e manter um projeto que venha, direta ou indiretamente, colocar em risco a segurança alimentar da população”, sustentou o MPMT.