Técnicos da Saúde debatem enfrentamento a Dengue, Zika e Chikungunya

Os profissionais alertaram para o risco da automedicação e para importância de notificar os casos suspeitos das doenças

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O Plano Regional de Contingência da Dengue, Zika e Chikungunya foi debatido em uma oficina de capacitação, realizada entre os dias 09 e 12 de abril em Cuiabá. Participaram do encontro técnicos da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), dos 16 Escritórios Regionais de Saúde, da atenção básica e primária, da Unidade de Regulação estadual, Laboratório Central do Estado (Lacen), além de profissionais da Vigilância de Cuiabá e de Várzea Grande.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica do Estado, Alessandra Moraes, destaca que o projeto faz parte do Plano de Trabalho Anual (PTA) de 2019/2020, elaborado pela SES-MT, e que tem como objetivo realinhar as ações conjuntas entre as unidades de saúde pública. “Para combater essas doenças não é possível agir de forma isolada; cada unidade precisa trabalhar de maneira articulada para evitar que esses vírus provoquem epidemias e aumentem o risco de morte entre a população.”


A partir da notificação de um caso, mesmo que suspeito, a Vigilância Epidemiológica emite alerta e desencadeia uma série de ações de bloqueio do vírus no ambiente onde o paciente reside. Sem a notificação, a doença passa a ser tratada de forma comum e sem a devida importância que requer.

“A Vigilância Epidemiológica tem os critérios técnicos estabelecidos para agir em cada situação, porém, a ausência da notificação omite o cenário real e isso mascara um possível surto epidemiológico”, concluiu Moraes.

Subnotificação e automedicação

De acordo com o setor de Vigilância Epidemiológica da SES-MT, diversos municípios deixaram de notificar os casos suspeitos de Dengue, Zika e Chikungunya. No entanto, Mato Grosso é um estado endêmico, em que há a possibilidade de a população ser afetada de forma drástica caso não haja a notificação dos casos.

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Outro problema enfrentado é a automedicação. “A automedicação por parte da população não passa pela notificação oficial e esse é um costume que coloca em risco a vida do paciente infectado pelo vírus. O profissional de saúde, especialmente o médico, precisa ter o olhar atento aos sintomas clínicos e acompanhar de perto a evolução do quadro de saúde do paciente – sem menosprezar a suspeita, não banalizando os casos e atribuindo a causa a uma virose simples”, alertou o gerente do Controle de Vetores e Zoonoses da SES-MT, Sandro Luiz Netto.

No ano de 2018, o uso do fumacê – recurso técnico usado em caso de dengue severa – ocorreu em Várzea Grande, em ação conjunta entre a SES-MT e a secretaria Municipal de Saúde do município.

Segundo os especialistas da Vigilância Epidemiológica da SES-MT, o uso do fumacê depende da notificação de casos, principalmente quando há registro de quadro grave e de óbito, além do registro da quantidade de imóveis que possuem o criadouro do mosquito transmissor das doenças. Esses critérios precisam ser observados pelos municípios e profissionais da saúde pública.

“O fumacê é uma forma de combate ao vírus do mosquito que deve ser usado de maneira complementar e o sinal de alerta para o seu uso é a notificação de casos, ou seja, quando o registro está acima da média histórica do município”, esclareceu Luiz Netto.