Sobe o número de famílias cuiabanas endividadas; cartão de crédito é grande vilão

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A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomercio-MT), filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgou uma pesquisa onde aponta que o endividamento das famílias cuiabanas voltou a crescer no mês de fevereiro. O Cartão de Crédito continua sendo o principal tipo de dívida revelado pelos pesquisados, seguido pelos carnês e em terceiro lugar os créditos consignados.

O levantamento tem o objetivo de revelar não apenas o aspecto econômico da sociedade, mas também trazer uma contribuição para estudos relacionados ao comportamento social, pois o equilíbrio do orçamento das famílias gera diversas consequências para o meio em que elas vivem.

Segundo o consultor econômico tributário da Fecomércio-MT, Múcio Ribas, além das consequências econômicas em termos pessoais e familiares, e dos graves problemas psicológicos e sociais que lhe estão associados, há um impacto direto do endividamento sobre o setor real da economia, que como resultado reduzirá o consumo, entre outros pontos negativos.

“Em uma sociedade livre é natural um endividamento saudável, ou seja, aquele que a pessoa, numa programação financeira tenha condições de honrar os compromissos assumidos, e lógico que percalços acontecem e sem aviso prévio, daí a necessidade de um cuidado especial no orçamento doméstico”, ressalta Múcio.

Na análise do consultor, em Cuiabá, o endividamento das famílias voltou a subir em fevereiro/2019 (58,5%), depois de queda significativa em janeiro/2019 (57,8%). Embora ainda menor que fevereiro/2018 (61,2%) quando a crise era mais acentuada.
A pesquisa também mostra que o número de famílias cuiabanas que declararam não terem condições de pagar suas contas, caiu de 38.583 em janeiro/2019 para 34.921 em fevereiro/2019, inclusive diferente de uma tendência nacional que foi de aumento, revelando aí uma cautela dos consumidores.

As expectativas de crescimento da atividade econômica ainda são aguardadas com maior vigor, para se consolidar como permanente e reverter o grande prejuízo dos anos anteriores.

Pesquisa Nacional aponta que o percentual de famílias com dívidas aumenta em fevereiro

O percentual de famílias brasileiras que relataram ter algum tipo de dívida alcançou 61,5% em fevereiro, um aumento de 1,4 ponto percentual em relação aos 60,1% observados em janeiro deste ano e 0,3 ponto percentual maior em relação a fevereiro do ano passado, quando o indicador alcançou 61,2% do total de famílias. Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), produzida mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que o aumento, na comparação mensal, do percentual de famílias com dívidas é o segundo consecutivo, alcançando o maior patamar desde dezembro de 2017.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou em fevereiro de 2019, na comparação com janeiro, passando de 22,9% para 23,1% do total. Houve diminuição, porém, do percentual de famílias inadimplentes em relação a fevereiro de 2018, que havia registrado 24,9% do total. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes também aumentou na comparação mensal, passando de 9,1% em janeiro para 9,2% do total em fevereiro de 2019. O indicador havia alcançado 9,7% em fevereiro de 2018.

“Além da recuperação gradual do consumo das famílias, esperada para este ano, há um fator sazonal que deve ter influenciado neste resultado, que corresponde à incidência dos gastos extras de início de ano, ocasionando uma maior demanda por empréstimos. Entretanto, houve uma redução no comprometimento médio de renda com o pagamento de dívidas, tanto na comparação mensal quanto na anual, refletindo condições ainda favoráveis de juros e prazos”, explica Marianne Hanson, economista da Confederação.

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,9 dias em fevereiro de 2019 – estável em relação aos 64,9 dias de fevereiro de 2018. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 6,8 meses, sendo que 26,2% delas estão comprometidas com dívidas até três meses; e 29,7%, por mais de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas diminuiu na comparação anual, passando de 29,4% em fevereiro de 2018 para 29,1% em fevereiro de 2019, e 19,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

Tipos de dívida: cartão segue na liderança

O cartão de crédito foi apontado em primeiro lugar como um dos principais tipos de dívida por 78,5% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 13,9%, e, em terceiro, por financiamento de carro, para 9,8%. Para as famílias com renda até dez salários mínimos, cartão de crédito, por 78,8%, carnês, por 15,4%, e crédito pessoal, por 8,3%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já para famílias com renda acima de dez salários mínimos, os principais tipos de dívida apontados em fevereiro de 2019 foram: cartão de crédito, para 77,4%, financiamento de carro, para 17,7%, e financiamento de casa, para 15,9%.