JORNADA DUPLA DE TRABALHO PROVOCA GANHO DE PESO EM MULHERES. OS ÍNDICES SÃO ALARMANTES

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Já está claro que o estresse pode trazer inúmeras consequências físicas e mentais, que vão desde dor de cabeça à depressão e crises de ansiedade. Estudando mais a fundo esse problema universal, pesquisadores da Universidade de Gothenburg, na Suécia, provaram que, quando falamos dos efeitos no ganho de peso, as mulheres saem em desvantagem.

Além disso, outro fato que propicia o ganho de peso é que o nervosismo leva à emissão do cortisol, hormônio que facilita o acúmulo de gordura na região abdominal. Os resultados é diferente com os homens, uma vez que grande parte das mulheres enfrentam jornada dobrada de trabalho dentro de casa. “Quando a referência foi o nível de demandas no trabalho, apenas as mulheres foram afetadas”, aponta Sofia Klingberg, líder do estudo. “Nós ainda não investigamos as causas subjacentes, mas pode ser concebível uma combinação de demandas do trabalho e maior responsabilidade pelo lar que as mulheres, geralmente, assumem”.

 

O método da pesquisa convocou participantes do Programa de Intervensão de Västerbotten (VIP), que convida os habitantes da região sueca a realizar check ups para a saúde. Dados coletados em 1985 foram reunidos e os envolvidos foram divididos em grupos de 30 a 50 anos e 40 a 60 anos. Em seguida, os participantes foram pesados para sáculo de IMC e entrevistados três vezes, com perguntas sobre dieta e ganho ou perda de peso nos últimos 20 anos.

De acordo com as informações dos primeiros anos que a pesquisa analisou, 27% das mulheres e 39% dos homens eram obesos ou estavam com sobrepeso. Uma década depois, 33,5% delas e 26% deles haviam ganhado, em média, 10% de massa corporal. Após 20 anos, esse mesmo dado era de 48,9% para o sexo feminino e 43,7% para o masculino.

Os resultados das avaliações apontam que as elas acumulam quilos a mais por estarem sobrecarregadas de tarefas. Aquelas que tinham dificuldades de dar conta de todos os encargos engordaram 20% a mais do que as que tinham uma rotina mais tranquila.

No Brasil, as taxas de obesidade entre todos os níveis e faixas etárias da população estão em crescimento. Contudo, pode-se dizer que as mulheres com menos anos de estudo foram as que mais ganharam peso de 2006 a 2017. Segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o sobrepeso entre o sexo feminino cresceu de 38,6% para 50,5% no perído de avaliação. Este dado é equivalente ao salto de 25,5% para 61,7% entre aquelas que têm até oito anos de estudo.  Ainda assim, no país, o excesso de peso entre os homens é mais comum, despontando de 47,5% para 57,5%. Nota-se, portanto, apesar de os homens com excesso de peso aparecerem em maior quantidade, o índice de aumento entre as mulheres é bem maior.

A pesquisa também coletou dados sobre o índice de consumo de hortaliças e frutas, que é, aproximadamente, 12% maior entre as mulheres. Elas também têm o hábito de ingerir  refrigerantes e sucos artificiais 5% menor e o consumo excessivo de álcool 15,2% reduzido. Mesmo assim, apresentam maior quantidade de diagnósticos de diabetes e hipertensão, o que nos indica que nem sempre a alimentação é a única responsável do ganho de peso.