Novo teste de potássio ajuda a manter produtividade da lavoura de soja

A quantidade de potássio nas lavouras está diretamente ligada à produtividade, uma vez que o elemento é o segundo nutriente mais exportado pela soja.

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Técnica desenvolvida por cientistas da Embrapa promete deixar a vida do produtor de soja mais descomplicada. A novidade está em um teste que avalia na lavoura a concentração de potássio (K), macronutriente fundamental para o desenvolvimento das plantas, com maior agilidade frente às análises convencionais.

Chamada de Fast-K, a tecnologia utiliza um medidor portátil que analisa uma solução líquida feita com folhas de soja. A partir desse material, o equipamento interpreta e apresenta os resultados na hora, dispensando a diagnose tradicional que tem de ser feita em laboratório.

A proposta do Fast-K é melhorar o manejo nutricional da soja, de acordo com o pesquisador da Embrapa Adilson de Oliveira Júnior. “Ao realizar o teste foliar no campo, a assistência técnica ganha tempo para tomar as decisões mais acertadas em relação à correção da deficiência de potássio ainda na safra em curso, uma vez que o potássio tem influência direta na produtividade”, detalha o cientista.

O potássio é o segundo nutriente mais exportado pela soja, atrás apenas do nitrogênio, que é fornecido via fixação biológica de nitrogênio (FBN). Estudos desenvolvidos pela Embrapa indicam que, em média, a soja demanda 20 quilos de óxido de potássio (K2O) por hectare para cada tonelada de grãos produzida. O nutriente é retirado pelas plantas do solo que, com o tempo, vai ficando sem o elemento.

“Essa alta exportação de potássio, quando não é reposta nas quantidades exportadas, pode levar à redução da disponibilidade do nutriente no solo e, consequentemente, à redução de produtividade”, explica Oliveira Júnior.

Há algumas safras, a Embrapa Soja tem identificado o aparecimento de sintomas de deficiência de potássio em lavouras de soja no Brasil, como o amarelecimento das folhas superiores da planta causado pela produção insuficiente de clorofila decorrente da falta desse elemento, fenômeno conhecido como clorose.



Além disso, muitas lavouras podem sofrer carência do nutriente sem apresentar sintomas, processo denominado “fome oculta”.

Como funciona o Fast-K

A primeira etapa do método Fast-K envolve a coleta de cinco a dez folhas de soja. A amostragem deve representar a condição média do talhão, ou ainda, contrastando condições e plantas com e sem sintomas, em áreas com suspeita de deficiência de potássio.

A fase de desenvolvimento mais indicada para a amostragem é a mesma da diagnose nutricional padrão (pleno florescimento/início de formação das vagens: estádio R2/R3). “No entanto, para aumentar o espectro de amostragem, a metodologia foi calibrada também para as fase de formação de vagens (R4) e início de enchimento de grãos (R5.1 a R5.3)”, explica o pesquisador da Embrapa.

Após a coleta, as folhas precisam ser pesadas (1,5 a 2,5 g de folhas recém-amostradas) em balança portátil (precisão de 0,1 g e capacidade máxima de 500g). Posteriormente, serão maceradas com uma pequena quantidade de água para se obter uma massa fresca que será passada por um filtro de papel.