Gravidez na adolescência: jovem fala da importância do apoio da família

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A experiência de uma gravidez precoce, não planejada, principalmente na adolescência, traz incertezas, angústias, medos e conflitos. O apoio e a presença da família nesse momento são primordiais para o turbilhão de emoções e até complicações que virão pela frente. Quando existe o respaldo dos familiares, passar por essa fase se torna mais fácil. Foi assim com a jovem Bianca Pina da Silva, que encontrou nos pais e irmãos, o porto seguro para levar adiante a primeira gravidez, aos 16 anos.
Ela é a filha caçula de cinco irmãos. Hoje, com 19 anos, Bianca tem Bernardo, de dois anos e está grávida de 22 semanas do segundo filho, que nascerá em abril. As duas gravidezes não foram planejadas e são frutos da relação com um ex-namorado. A notícia de que seria mãe pela primeira vez gerou medo e muita insegurança e a segunda vez foi um susto, como ela mesma contou.
“A ficha demorou a cair que eu era mãe. A primeira gravidez eu tinha menos maturidade, não sabia o que fazer, como cuidar, tinha medo de tudo, de dar banho. Nesta segunda vez eu levei um susto, achei que estava com gastrite e o médico pediu os exames. Agora me sinto mais preparada, tenho mais experiência”, revela.
A mãe, dona Elvira, sempre esteve presente, dando todo o apoio necessário já que esta é uma fase bastante delicada. Para Bianca o fato de sua mãe ter aceitado a gravidez foi muito importante, principalmente por poder contar com esse auxílio em um momento que ela estava tão frágil. “Eu fiquei tranquila porque eles namoravam. Não adiantava brigar porque naquele momento o que eles precisavam era de apoio e foi o que eu dei”, afirmou Elvira.
Com seus 58 anos de idade, dona Elvira, muito simpática e carinhosa com o neto, mostrou ser primordial estar ao lado da filha durante as gestações. “Problema sempre vai existir, por isso temos que encará-los com harmonia. Como ela iria se virar se não estava trabalhando? É melhor a família dar apoio. É muito importante que os pais conversem com seus filhos. Eu e ela não conversávamos muito porque ela sempre foi um pouco fechada e vergonhosa. Mas é importante sim falar sobre sexualidade e das consequências. A conversa tem que ser muito aberta”, finalizou.
Bianca não concluiu o ensino médio. Parou de estudar no primeiro ano por conta da amamentação. Após o nascimento de Bernardo, ele desenvolveu uma doença chamada dermatite atópica, que causa feridas na pela e em algumas vezes chega na carne viva. Com isso, a criança inspirava muitos cuidados e ela acabou não voltando para a escola estadual e ainda não sabe se vai voltar a estudar, já que está trabalhando com marketing eempreendedorismo e pretende investir nessa carreira.
Ação da Justiça – A prevenção e a inserção dos pais ou responsáveis nesse contexto, um problema social e de saúde pública, que é a gravidez precoce são algumas das preocupações do Poder Judiciário de Mato Grosso. Por isso, ao longo de todo este ano, serão realizadas palestras e orientações nas escolas de Cuiabá e cidades do interior para conscientização, tanto dos jovens quando dos pais e familiares. Essa foi uma das medidas adotadas pela justiça estadual em atenção à Lei 13.798, de 3 de janeiro de 2019, que acrescenta ao Estatuto da Criança e do Adolescente o artigo instituindo a data de 1º de fevereiro para o início da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.
Números – De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o sétimo país da América do Sul em número de adolescentes grávidas. De cada mil adolescentes (de 15 a 19 anos), 65 ficam grávidas. Esse é um drama social que faz parte da vida de milhares de jovens, principalmente de classes mais baixas, sem escolaridade e com problemas familiares.
Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontam que as mulheres matriculadas em escolas públicas têm uma probabilidade sete vezes maior de ficarem grávidas, em comparação com aquelas matriculadas em outras instituições de ensino.
Segundo o relatório, a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas. Em 2014, por exemplo, morreram cerca de 1,9 mil adolescentes e jovens como resultado de problemas de saúde durante a gravidez, parto e pós-parto.
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