MT é um dos estados com pior qualificação em atendimentos de saúde, segundo Cofen

Fiscais do Conselho visitaram unidades de saúde em oito estados brasileiros. Somente no Pronto Socorro de Cuiabá foram encontradas mais de 10 irregularidades no atendimento aos pacientes.

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Paciente acomodado de forma irregular em Cuiabá — Foto: Coren-MT/Assessoria

Uma fiscalização realizada na semana passada, pelos Conselhos Federal (Cofen) e Regional de Enfermagem (Coren), aponta Mato Grosso como um dos piores estados em termos de precariedade nas unidades públicas de Saúde. Foram visitadas 17 hospitais em todo o estado.

Segundo a chefe de fiscalização do Cofen, Michely Filete, os fiscais ficaram assustados com a situação enfrentada pelos pacientes.

“Mato Grosso, com certeza, foi um dos estados que nos assustou muito, porque a gente identificou que embora o serviço esteja sendo prestado à população, existe um nível muito primário de organização em todos os setores. Isso reflete no descaso em relação à estrutura física e até em pagamentos de salário”, destacou.

Somente no Pronto Socorro de Cuiabá, foram registradas 12 irregularidades. Comunicados emitidos pela equipe do hospital à Secretaria Municipal de Saúde informam que a unidade não tem condições de receber novos pacientes.

Ainda segundo os profissionais que atual na unidade, a secretaria também foi comunicada de que havia pacientes há 36 horas sem trocar curativos por falta de insumos básicos.

Com relação à situação apontada pela fiscalização no pronto-socorro, o secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho disse que não tinha conhecimento da falta de material, insumos e medicamentos na unidade. Ele afirmou que vai tomar atitudes para sanar os problemas citados.

Sobre as unidades de atenção básica e secundária, que são de responsabilidade do município, o secretário informou as irregularidades serão apuradas.



A vice-presidente e conselheiro do Coren, Lígia Arfeli, destacou que o número de pacientes é excessivo, enquanto a quantidade de profissionais para atender é insuficiente.

“Há pacientes em macas inadequadas, os medicamentos são insuficientes, equipamentos também são poucos. Além disso, a superlotação e a falta de dimensionamento da equipe de enfermagem, só prejudica a assistência e não garante uma boa qualidade nem pra quem está internado e nem pra quem vai chegar daqui a pouco”, ressaltou.

Ao todo, 17 unidades de saúde foram fiscalizadas no estado e todas as irregularidades encontradas vão compor um relatório elaborados pelos conselhos.

Com relação às informações disponibilizadas no levantamento, o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, disse que algumas medidas para solucionar os problemas já estão sendo tomadas.

“Uma das medidas que já estamos tomado é a elaboração de edital de processo seletivo simplificado para contratação no hospital de Sinop”, informou o secretário.