Convenção de tatuadores no RJ oferece atendimento para quem tem câncer

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A tatuagem, mais do que questão de estética, pode ajudar a melhorar a autoestima e a saúde. Em uma das maiores convenções de tatuadores do mundo, a Tattoo Week Rio 2019, um dos estandes oferece atendimento a quem têm ou teve câncer. São ofertados, gratuitamente, serviços de micropigmentação, refazer sobrancelhas, delinear pálpebras sem cílios ou reconstruir a aréola do mamilo.

No primeiro dia da 7ª edição do encontro no Rio, que começou nesta sexta-feira (12) e vai até este domingo (13), 75 pessoas se inscreveram. Ana Savoy, integrante da Associação Brasileira de Micropigmentadores (Abramic) e criadora do grupo Juntos Nessa Luta, que junto com a Tatoo do Bem coordena o atendimento, conta que a iniciativa começou há dois anos no Tattoo Week de São Paulo. Os interessados precisam apresentar uma avaliação médica e o serviço é oferecido para homens e mulheres.


A micropigmentação é usada para refazer sobrancelhas ou delinear pálpebras e pode ser realizada mesmo durante o processo de quimioterapia. “É o momento em mais precisam da micropigmentação porque perdem os pelos. Não tem nenhuma contraindicação”, disse Ana Savoy, destacando que o trabalho precisa ser retocado a cada ano.

Além da convenção, o grupo oferece atendimentos no Centro de Câncer (Cecan) de Piracicaba e no Centro de Oncologia de Campinas (COC), em São Paulo.“O tratamento é feito com acompanhamento médico e sempre com profissional especializado para trabalhar com a escolha correta das cores e respeitar o tempo de cirurgia, que não pode ser menos que um ano”, contou, acrescentando que a autorização médica é necessária para a reconstrução da aréola.

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Alerta

Há também quem use a tatuagem com a função de alerta. É o caso do diretor de marketing Lucas Chiaratto. Ele tem diabetes do tipo 1 e resolveu deixar uma mensagem no braço direito como um alerta caso necessite de socorro médico de urgência.

“Quem tem diabetes pode ter hipoglicemia e desmaiar. Nesse momento, se a pessoa tem uma tatuagem apontando que tem a diabetes, o socorrista não vai botar glicose na veia dela. Se injetar glicose em quem tem diabetes pode levar a óbito. Realmente facilita e evita um problema grande. Se a tatuagem foi com o tipo sanguíneo, fica mais fácil, também, para o socorrista, por exemplo em uma transfusão”, disse.

Experiência

Já os chilenos Isaac Silva e Manuel Rocha, vencedores de um concurso no Tattoo Week Chile no ano passado, estão no encontro no Rio, pela primeira vez, em busca de aperfeiçoamento e troca de experiências com outros tatuadores.

“A comunicação é fundamental e se pode compartilhar a técnica na convenção. Ver coisas que não costuma ver, sair da zona de conforto e abrir a mente”, disse Isaac Silva, que trabalha há dois anos com Manuel.

O profissional de informática Alain Jacomet, que também é chileno, se ofereceu para ser tatuado pela dupla. O trabalho, com a temática amazônica, começou na sexta-feira e só será concluído no domingo. “Eles precisavam de uma pessoa para fazer e expressar as suas artes no que queriam tatuar. Me ofereci porque confio plenamente que farão um bom trabalho”.

O brasileiro Naldo Contreras, que completa este ano 10 anos como tatuador profissional, destacou que nesses anos o preconceito diminuiu em relação às pessoas que têm tatuagem e o mercado está crescendo. “Hoje em dia tem profissionais qualificados para fazer e bastante informação”, observou.

Doações

A expectativa dos organizadores é que 34 mil pessoas passem pelo encontro, que tem a participação de 1.200 tatuadores em 300 estandes no Centro de Convenções Sul América. Quem levar um quilo de alimento não perecível tem direito a 50% de desconto no ingresso. Segundo a diretora executiva da Tattoo Week, Esther Gawendo, as doações serão encaminhadas para a instituição Minha Casa.

Edição: Carolina Pimentel