Desgastada, Assembleia Legislativa teve renovação superior a 50% nas eleições deste ano

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Contrariando a maioria das pesquisas de intenção de votos, que indicava uma expressiva manutenção do quadro de parlamentares estaduais em Mato Grosso, as eleições deste ano provocaram uma renovação que chegou a 58% na Assembleia Legislativa do Estado. Quatorze novos deputados foram eleitos, a deles políticos que nunca ocuparam cargos eletivos. Entre as surpresas, o jovem Ulysses Moraes (DC), eleito com mais de 18 mil votos. Apenas 10 deputados conseguiram se reeleger.

No dia da eleição, logo após a divulgação preliminar do resultado das urnas, Ulysses Moraes reforçou que o discurso de “renovação” utilizado durante a campanha estava associado à necessidade de resgatar a imagem da Casa de Leis.

“Eu quero mostrar, efetivamente, que a gente veio para mudar. Não é um discurso de renovação por renovação, nós vamos chegar lá cortando na carne, mostrando para o povo que o dinheiro será utilizado para outras coisas. Foi isso que eu preguei durante toda a minha campanha e é isso que eu vou fazer lá, mostrar que é possível ter gente honesta lá dentro”, declarou.

Além do democrata cristão, figuram entre os novos deputados o vereador Elizeu Nascimento, também do DC, delegado Claudinei (PSL), Xuxu Dal Molin (PSC), Ludio Cabral (PT), Valmir Moretto (PRB), Faissal (PV), Dr. João (MDB), Thiago Silva (MDB), Dr. Eugenio (PSB), Silvio Favero (PSL), Dr. Gimenez (PV), Paulo Araujo (PP) e João Batista (Pros).

Escândalos

Além de casos isolados na Justiça envolvendo deputados com mandato em vigência em Mato Grosso, em 2017, a divulgação de imagens da colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa, em que parlamentares apareciam recebendo dinheiro do ex-secretário Sílvio Cesar Correa, de Gabinete, levou a Casa de Leis para a beira do precipício.

Somente dez deputados sobreviveram: Janaina Riva (MDB), Nininho (PSD), Max Russi (PSB), Eduardo Botelho (DEM), Guilherme Maluf (PSDB), Dilmar Dal Bosco (DEM), Sebastião Rezende (PSC) e Valdir Barranco (PT).

A delação de Silval Barbosa revelou, entre pagamento de “mensalinho” a deputados, compra de Mesa Diretora e outras dezenas de esquemas ilegais, a movimentação de uma quantia vultuosa que ultrapassa a casa dos bilhões.

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, dos 24 deputados em atuação, 15 são acusados de terem envolvimento em algum dos esquemas revelados no acordo.