Bioecologia e identificação de Mosca-branca (Bemisia tabaci) em soja

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A mosca-branca (Bemisia tabaci, Gennadius, 1889) é um inseto-praga que possui amplo espectro de hospedeiros e causa prejuízos em diversas culturas de importância econômica no Brasil, entre elas a soja. Os adultos de mosca-branca medem de 1 a 2 mm, possuem dorso amarelo e asas membranosas de coloração branca (SOUZA & VENDRAMIM, 2000).

São insetos sugadores pertencentes a ordem Heteroptera – Aleyrodidae que ao se alimentar excretam uma substância denominada honeydew que serve como substrato para o desenvolvimento de fungos do gênero Capnodium sp., precursor da fumagina.

Comumente empregou-se o termo Biótipo para distinguir linhagens do inseto com diferentes comportamentos e resposta à inseticidas. No entanto, De Barro et al., 2011 contesta essa classificação, definindo Bemisia tabaci como um complexo de 11 grupos definidos e pelo menos 24 espécies morfologicamente indistinguíveis, exceto por análise de DNA mitocondrial.

Os adultos se alimentam na face abaxial das folhas novas das plantas, onde realizam a postura de ovos que posteriormente darão origem as ninfas, estas permanecem fixas debaixo dos folíolos de soja e passam por 4 ínstares antes de dar origem a um novo inseto adulto. Estes ínstares são classificados como ninfa I, ninfa II, ninfa III e ninfa IV. A única fase móvel, além do adulto, é como ninfa I. Em temperaturas de 25 ºC a 27 ºC o ciclo dessa praga dura em média de 16 a 25 dias, variando conforme a planta hospedeira (LIMA & LARA, 2001).

A densidade populacional de ninfas em plantas de soja varia de acordo com o terço da planta avaliado, e a distribuição nos folíolos demonstra um padrão de agregação em determinados locais do folíolo. Com a emissão de novas folhas pela planta, as folhas que anteriormente estavam no terço superior (local de oviposição pelas fêmeas, devido ao seu hábito alimentar) começam a compor o terço médio das plantas, especialmente em cultivares de hábito indeterminado. Portanto, verifica-se que a maior proporção das ninfas está localizada nos terços médio e inferior (POZEBON et al., 2018).

Figura 1. Média de ninfas de Bemisia tabaci em 32 cm² dos folíolos, nos terços superior, médio e inferior de plantas de soja cultivadas em condições de campo. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Scott-knott (P=0,05).

Fonte: Pozebon et al., 2018

Há um padrão de distribuição das ninfas nos folíolos do terço médio da planta de soja. Como apenas as ninfas de primeiro ínstar apresentam um período de mobilidade na superfície foliar, pode-se afirmar que ela se move até encontrar um local apropriado para satisfazer as suas necessidades nutricionais, onde se fixa e continua o seu desenvolvimento. Considerando o padrão de distribuição das ninfas de mosca-branca, o local de alimentação está localizado na região média e inferior do folíolo de soja (figura 2). Este comportamento pode ser justificado pela maior concentração de Nitrogênio e açúcares nesta área do folíolo devido à abundante circulação de fotoassimilados, favorecendo a alimentação e o desenvolvimento da mosca-branca.

Figura 2. Distribuição de ninfas.cm-2 de Bemisia tabaci nos folíolos centrais do terço médio da plantas de soja.

Fonte: Pozebon et al., 2018

Autores: Rafael Paz Marques e Julia G. Bevilaqua – Integrantes do Molecular Insect Lab sob a orientação do Prof. Jonas André Arnemann da Universidade Federal de Santa Maria.

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Referências bibliográficas

DE BARRO, P.J. et al. Bemisia tabaci: A Statement of Species Status. Annu. Rev. Entomol. 56:1–19. 2011.

LIMA, A.C.S., LARA, F.M. Mosca-branca (B. tabaci): morfologia, bioecologia e controle. 1ª ed. Jaboticabal: Funep. 76 p. 2001.

POZEBON, H., CARGNELUTTI FILHO, A., GUEDES, J.V.C., FERREIRA, D.R., MARQUES, R.P., BEVILAQUA, J.G., PATIAS, L.S., COLPO, T.L., ARNEMANN, J.A. Bemisia tabaci (Gennadius, 1889) on soybean plants: vertical distribution and on leaflets. Entomologia Experimentalis et Applicata, 2018. Impress.

SOUZA, A.P.; VENDRAMIM, J.D. Efeito de extratos aquosos de Meliáceas sobre Bemisia tabaci biótipo B em tomateiro. Bragantia, v. 59, n. 2, p. 173-179, 2000.