Óbitos de crianças prematuras aumentam mais de 10% em Mato Grosso

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Em Mato Grosso, 276.657 nascimentos foram contabilizados pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), entre os anos de 2013 e 2017. No mesmo período, o serviço de informações sobre mortalidade (SIM) registrou 3.838 óbitos infantis e 2.668 óbitos fetais. Os mesmos registros apontam que 85,74% dos nascidos vivos estavam dentro do tempo adequado de gestação de 37 a 41 semanas e 10,4% são pré-termo ou de parto prematuro.

Contudo, nesses últimos cincos anos, houve um aumento de 10,88%, no percentual de óbitos em crianças prematuras, passando de 53,56%, em 2013, para 59,38%, no ano passado. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (Ses) e foram divulgados durante o “I Encontro Mato-grossense sobre prematuridade”, em Cuiabá.


“A iniciativa atingiu o seu objetivo que foi o de fomentar o debate e a reflexão obre a prematuridade e suas implicações no trinômio bebê-mãe-família, e de maneira satisfatória; pretendemos dar continuidade a essa discussão com a sociedade em geral para a troca de experiências e para aprimorar ainda mais os serviços e avançar na prevenção de nascimentos prematuros”, informou por meio da assessoria de imprensa, o técnico da saúde da criança da Ses/MT, Ademar Sales Macaúbas.

Conforme a Saúde estadual, o baixo-peso ao nascer é uma das características dos óbitos infantis, representando 55,3% do total de óbitos no período de 2013 a 2017, sendo considerado um fator de risco. Apenas 10,02% dos prematuros nascem com peso normal. Já as afecções perinatais são doenças relacionadas com problemas do bebê para respirar e complicações de saúde antes, durante e logo após o parto, normalmente causados por gestação de curta duração, baixo peso e infecções.

No encontro, foram abordadas duas estratégias do Ministério da Saúde (MS), sendo uma delas a “Qualineo”, que visa qualificar as práticas de atenção ao recém-nascido de risco e reduzir a mortalidade neonatal. A outra é o “Apice On”, um projeto de aprimoramento e inovação no cuidado e ensino em obstetrícia e neonatologia, que propõe a qualificação de profissionais nos campos de atenção e cuidado ao parto e nascimento, planejamento reprodutivo, atenção à mulher em situações de violência, abortamento e aborto legal.

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No Estado, a Qualineo contempla as maternidades Hospital Santa Helena, Hospital Geral e Hospital Universitário Júlio Muller. Já o Apice On, atua em hospitais de ensino, universitários e/ou atuantes em unidades de ensino no âmbito da Rede Cegonha e está presente no Hospital Geral e Hospital Universitário Júlio Muller.

Essas estratégias são desenvolvidas por grupos locais formados por profissionais de saúde que atuam na UTI neonatal e no Centro obstétrico, além de representantes da gestão hospitalar e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde e apoiadores do Ministério da Saúde. “Devem ser trabalhadas de forma integrada, pois possuem interfaces que sinalizam temas importantes para a saúde da mulher e da criança”, informou a Cláudia Moreno, da rede Cegonha/QualiNeo/Apice On/MTA da Atenção à Saúde do Escritório Regional de Saúde da Baixada Cuiabana da Ses/MT.

Os dados do órgão estadual mostram ainda que, entre os anos de 2013 e 2017, a septicemia bacteriana do recém-nascido foi a principal causa de óbitos para as crianças pré-termo, representando 8,1% do total de óbitos. Considerando os dados dos Escritórios Regionais de Saúde (ERSs), constata-se que em quase todas as regiões de saúde ocorreu elevação no percentual de prematuros.

O escritório de Porto Alegre do Norte se destacou com variação de 136,36%, passou de 23,08% em 2013 para 54,55% em 2017. Já nos ERS de São Felix do Araguaia e de Peixoto de Azevedo registrou-se uma redução respectivamente de 62,50% e 28,13%.

Atualmente, os avanços da tecnologia na área de saúde permitem a sobrevivência das crianças pré-termo e uma das formas de prevenção é o conhecimento e o monitoramento dos fatores de risco e a devida atenção e assistência ao materno infantil.


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